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Castelo Branco

Despedimento coletivo na empresa de confeções Dielmar

02 dez, 2025 - 23:23 • Lusa

Notícia na contagem decrescente para o Natal. Um total de 22 trabalhadores vão para o desemprego no final do mês.

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O grupo minhoto Valérius vai avançar com um despedimento coletivo na empresa de confeções Dielmar, em Alcains, no concelho de Castelo Branco, confirmou à agência Lusa a presidente do Sindicato Têxtil da Beira Baixa (STBB).

Marisa Tavares avança que são 22 os trabalhadores que, no final do ano, ficam em casa. Esta responsável recorda que não é a primeira vez que há saídas de trabalhadores com esta gestão da Valérius, grupo empresarial que adquiriu a Dielmar em 2022, após ter sido declarada insolvente (em agosto de 2021).

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"A empresa começou a alegar que a situação financeira era frágil, pois estava a contar fechar negócio com um cliente brasileiro, o que não se concretizou. Assim, a administração diz que os prejuízos se vão acumulando e não há serviço para todas as linhas", explica a sindicalista.

Alguns trabalhadores, segundo Marisa Tavares, acordaram com a empresa os termos da saída. "Uns chegaram a acordo e saíram, mas estes 22 não. E as saídas podem não ficar por aqui, pois se as finanças da empresa não melhorarem, os trabalhadores temem que possam ter de sair mais", reitera.

Dos 248 trabalhadores afetos à empresa, 210 resistiram à declaração de insolvência e transitaram para a nova gestão da Valérius. Desses, restam agora 122 trabalhadores que, tal como corrobora a presidente do STBB, "vivem com uma espada sobre a cabeça".

A denúncia deste despedimento coletivo foi feita, em comunicado, pelo partido RIR (Reagir, Incluir, Reciclar) e depois confirmado pelo sindicato do setor.

No documento enviado às redações, o RIR exige "transparência e responsabilização" do grupo Valérius e uma "proteção efetiva dos trabalhadores".

O partido lembra que a Dielmar "recebeu apoio estatal de emergência no valor de 320 mil euros para evitar a insolvência imediata e preservar cerca de 400 postos de trabalho".

Refere ainda que, em 2024, o Grupo Valérius recebeu "sete milhões de euros [ME] provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para revitalizar a operação e sustentar a atividade produtiva".

Considera assim ser imperativo "exigir clareza e rigor na utilização de fundos do Estado e do PRR", temendo que possa neste processo ter havido "um desvio entre os objetivos dos apoios concedidos, nomeadamente a proteção do emprego e a recuperação económica, e os resultados efetivos".

O RIR reitera a exigência de um esclarecimento público célere por parte da empresa e do Governo, no sentido de saber "o destino dos apoios públicos atribuídos à Dielmar, incluindo relatórios detalhados sobre a sua utilização", pedindo ainda "uma auditoria independente aos processos de insolvência, venda de ativos, reestruturação e aplicação dos fundos do PRR".

Recorde-se que a Dielmar tinha dívidas de 18 ME quando declarou insolvência, oito milhões de euros dos quais de dívida ao Estado. Foi vendida ao considerado gigante do têxteis de Barcelos por 275 mil euros, tendo retomado a laboração no início de 2022.

Encerrou o ano financeiro de 2023 com uma faturação de cerca de 6 ME, menos de metade do objetivo que pretendia atingir, que seriam os 15 ME de faturação anual, tal como avançou à época a administração.

A Lusa contactou a empresa, no sentido de obter esclarecimentos sobre este processo, mas ainda não foi dada qualquer resposta.

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  • EU
    03 dez, 2025 PORTUGAL 11:00
    Quando, ainda novo, vestia fatos da Dielmar. Ainda tenho 2 para servirem de testemunha. As Pessoas mudaram e os pensamentos também, pois de um momento para o outro, o PREÇO quadruplicou. As Pessoas Antigas movimentavam-se em automóveis, depois as OUTRAS precisavam dar nas vistas e aí iam ELAS. O Estado INJETOU o lhe foi PEDIDO e agora vai atrás DELE como o vento. Em DEMOCRACIA, quando ALGUÉM recorre a subsídios do ESTADO, não devia poder aumentar o SEU património Pessoal, mas..... Estou FARTO de ver DIELMAR, QUIMONDAS, EFACECs e por aí além. Assim não GOVERNOS.

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