Portugueses esperam 2026 parecido com 2025 e mostram-se menos pessimistas com a carteira
02 jan, 2026 - 10:52 • Olímpia Mairos
Sondagem do IPPS-Iscte indica que o pessimismo é maior em relação ao mundo e à política do que às finanças pessoais, com os jovens a destacarem-se como os mais confiantes.
A maioria dos portugueses acredita que 2026 não trará grandes mudanças face a 2025 e revela menos pessimismo quando pensa nas finanças pessoais do que na situação internacional ou política. A conclusão é da sondagem Panorama 2026 – O que esperam os portugueses do ano 2026, do Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do Iscte (IPPS-Iscte).
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Segundo o estudo, 56% dos inquiridos considera que o novo ano será semelhante ao anterior. O pessimismo surge sobretudo quando o olhar se vira para fora de portas: 40% acredita que a situação internacional vai piorar em 2026, enquanto apenas 11% admite um cenário mais favorável. Ainda assim, a maioria espera continuidade.
Também na política nacional prevalece a ideia de estabilidade relativa. Quase metade dos inquiridos (46%) entende que 2026 será igual a 2025, 31% antecipa maior instabilidade e apenas 14% espera melhorias. Os mais jovens, entre os 18 e os 24 anos, são os menos pessimistas: só 22% acredita que a estabilidade política vai diminuir.
Quando a pergunta incide sobre a economia portuguesa, o padrão repete-se. Para 42%, o próximo ano será semelhante ao atual; 36% teme uma degradação e apenas 14% antecipa melhorias. O pessimismo é mais acentuado entre quem vive com rendimentos insuficientes (53%) e entre os inquiridos que se posicionam à esquerda. Já os mais jovens voltam a destacar-se pelo otimismo relativo: 22% acredita que 2026 poderá ser economicamente melhor.
É, contudo, na esfera pessoal que o pessimismo mais abranda. Apenas 25% dos inquiridos admite expectativas negativas para a situação económica do seu agregado familiar, enquanto 56% espera que tudo se mantenha e 16% diz-se mesmo otimista. Entre quem vive confortavelmente, só 6% receia uma pioria. Nos mais jovens (18-24 anos), apenas 14% antecipa dificuldades financeiras em 2026 — mais de dez pontos abaixo da média nacional.
“O pessimismo é maior quando se pensa na situação internacional do que na política ou na economia nacionais”, explica Pedro Adão e Silva, presidente do IPPS-Iscte, citado em comunicado. “É na esfera pessoal que os inquiridos estão menos pessimistas, embora a maioria espere continuidade”, afirma.
O responsável sublinha ainda que a expectativa de continuidade surpreende, tendo em conta “a instabilidade política assinalável” vivida em 2025 e um contexto geoestratégico internacional sensível.
A sondagem foi realizada pela GfK Metris entre 7 e 17 de novembro de 2025, com 807 entrevistas válidas. A margem de erro máxima é de ±3,5%, para um nível de confiança de 95%.
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