10 jan, 2026 - 02:11 • Alexandre Abrantes Neves , com redação
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considera globalmente positivo o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
O acordo prevê uma redução de mais de 90% das taxas alfandegárias e uma poupança anual de quatro mil milhões de euros.
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Em declarações à Renascença, o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, fala em boas notícias para Portugal.
“É globalmente positivo para a agricultura portuguesa e temos que ter presente que estamos a abrir um mercado com 270 milhões de consumidores, dos quais mais 210 milhões falam português. Isto traz para a agricultura portuguesa uma vantagem muito superior à que traz para outras agriculturas europeias.”
Mendonça e Moura dá exemplos de setores que vão sair beneficiados com o acordo e com o fim de tarifas, como é o caso do vinho, que atualmente tem uma taxa entre 27% e 35%, o azeite com uma tarifa de 10%, e as frutas entre 10% e 20%.
Em França e Espanha, já houve ruas bloqueadas com protestos de agricultores, que temem a concorrência. Queixam-se de que os produtos dos países do Mercosul respeitam regras ambientais menos exigentes e que, por isso, são mais baratos do que os europeus. A CAP pede um controlo mais rigoroso.
Mendonça e Moura não vê razão para manifestações em Portugal, mas mostra-se solidário com os países europeus negativamente afetados pelo acordo.
O acordo entre a União Europeia e o Mercosul foi assinado esta sexta-feira pelos Estados-membros e na próxima semana vai ser selado com Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina cidade de Assunção, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Este acordo cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores, e permitirá aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul.
No sentido oposto, facilitará a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.