17 jan, 2026 - 19:07 • Olímpia Mairos
A CIP – Confederação Empresarial de Portugal saúda a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, considerando que o entendimento cria condições para um novo ciclo de investimento, aumento da competitividade e crescimento das exportações portuguesas, em particular para a América Latina.
“A criação desta zona de comércio livre transcontinental dá uma indicação clara: é tempo de investir, de aumentar a competitividade das empresas portuguesas e europeias e de fazer subir o valor dos seus produtos”, afirma o presidente da CIP, Armindo Monteiro, num documento divulgado a propósito da assinatura do acordo.
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Segundo o responsável, “as empresas portuguesas têm qualidades e instrumentos para aumentar o valor acrescentado das suas vendas, melhorando de forma substancial as quotas de mercado na América Latina”.
Armindo Monteiro defende ainda que é essencial que as políticas públicas acompanhem este novo contexto económico. “É fundamental que os governos, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia cumpram as promessas de reformas que fizeram, por forma a permitir que as empresas invistam e criem empregos”, sublinha, acrescentando que “a diversificação comercial deve ser o foco essencial dos governos e das empresas europeias nos próximos anos”.
O novo espaço económico UE–Mercosul reunirá cerca de 700 milhões de consumidores e representará aproximadamente 25% das trocas globais. O produto interno bruto combinado das duas regiões ronda os 20 biliões de euros. Apesar de as trocas comerciais ainda partirem de valores relativamente modestos — 111 mil milhões de euros em 2024 — o potencial de crescimento é, segundo a CIP, “gigantesco”.
Acordo cria a maior zona de comércio livre do mund(...)
Com o acordo agora assinado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% das exportações da União Europeia ao longo de um período de até 15 anos. A UE, por sua vez, eliminará progressivamente tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul, num prazo máximo de dez anos.
Para a confederação empresarial, o acordo surge também como resposta ao abrandamento dos mercados em 2025. “As dificuldades sentidas na relação comercial com os Estados Unidos desde que Donald Trump regressou à Casa Branca podem, a partir de 2026, ser compensadas pelo alargamento dos mercados do outro lado do Atlântico”, refere o documento.
A CIP recorda ainda que, na última reunião de 2025 da BusinessEurope, as prioridades apontadas foram a diversificação de mercados e o reforço do investimento em inovação, metas que considera alinhadas com o novo acordo.
Portugal parte de uma relação comercial desequilibrada com o Mercosul, exportando cerca de mil milhões de euros por ano e importando 3,5 mil milhões. Ainda assim, a CIP acredita que esta situação pode ser invertida. “As empresas portuguesas têm instrumentos, competências e dinâmica para isso”, afirma Armindo Monteiro, destacando a base científica, digital e sustentável do tecido empresarial nacional.
A confederação sublinha também a vantagem linguística e cultural de Portugal no acesso ao mercado brasileiro. Dos 270 milhões de consumidores do Mercosul, cerca de 215 milhões vivem no Brasil e falam português, um fator que pode facilitar a rotulagem, a comunicação, o marketing e a publicidade.
Para a CIP, o acordo UE–Mercosul representa, por isso, “uma oportunidade estratégica para acelerar a transição da indústria portuguesa para uma economia mais tecnológica, mais digital e mais sustentável”, reforçando a competitividade das empresas nacionais no espaço latino-americano.