APED não prevê subida de preços nem escassez de produtos por causa do mau tempo
18 fev, 2026 - 08:40
"Nós, no retalho, estamos muito habituados a viver estas dificuldades", diz o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, Gonçalo Lobo Xavier.
A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) não prevê uma subida imediata e direta dos preços dos produtos para os consumidores, face à dimensão dos estragos provocados pelo mau tempo em muitas explorações agrícolas.
Em entrevista à Renascença, o diretor-geral da APED, Gonçalo Lobo Xavier, lembra que "os preços, nos últimos três anos, têm vindo a aumentar na ordem dos 20% em média", devido à "subida dos custos dos fatores de produção", o que não deverá ser agravado com as consequências das tempestades.
"Estas intempéries, de facto, não ajudam, mas não há aqui uma relação imediata no aumento dos preços e muito menos de escassez", sublinha.
O responsável da APED destaca a urgência de apoiar os produtores locais. No entanto, há fornecedores em todo o país que garantem o abastecimento das lojas, pelo que "não se poderá dizer que haja um efeito imediato no aumento dos preços".
"O que nós temos é um conjunto de hortofrutícolas que foram atingidos e que têm que ser recuperados. Isto tem efeito na economia, nomeadamente nas exportações, porque muitos destes produtos nas estufas atingidas eram para exportação, mas não podemos dizer que se vai traduzir no aumento dos preços por via desta intempérie."
Gonçalo Lobo Xavier reconhece que, para as empresas de distribuição, as consequências do mau tempo representam um desafio em termos de logística e de transporte dos produtos. "Se nós temos que ir buscar matérias-primas ou produtos a uma distância maior, naturalmente que os custos também serão maiores. Mas nós, no retalho, estamos muito habituados a viver estas dificuldades."
"Também aqui não podemos ficar com uma expectativa negativa" relativamente aos preços. "Temos é que recuperar rapidamente estes empresários e agricultores porque o mercado vai continuar a funcionar", diz Xavier.
As empresas de distribuição garantem não existir, nesta altura, "qualquer problema de abastecimento às populações nas regiões afetadas" pelo mau tempo. "Neste momento, a logística e o retalho alimentar e o retalho especializado estão todos a funcionar", assegura Gonçalo Lobo Xavier, acrescentando que os empresários do setor "tinham planos de contingência e geradores" e estão, agora, "a ajudar a população e as comunidades envolventes", pelo que "não há qualquer panorama de risco de abastecimento nas zonas afetadas".
- Noticiário das 22h
- 19 mai, 2026







