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Crescimento económico abranda no início de 2026 e pode ser afetado pelo conflito no Médio Oriente

06 mar, 2026 - 10:41 • Olímpia Mairos

Barómetro CIP/ISEG aponta para desaceleração da economia portuguesa no início de 2026 e alerta para o impacto do aumento dos custos energéticos provocado pela escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irão.

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A economia portuguesa deverá crescer a um ritmo mais moderado no primeiro trimestre de 2026, depois do desempenho registado no final do ano passado. A conclusão é do Barómetro de Conjuntura Económica da CIP – Confederação Empresarial de Portugal e do ISEG, que aponta também para riscos acrescidos associados ao agravamento da tensão no Médio Oriente.

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De acordo com o barómetro referente a fevereiro, será “inevitável” um abrandamento do crescimento em cadeia do Produto Interno Bruto (PIB) face aos 0,9% registados no último trimestre de 2025.

Para o conjunto do ano, a previsão da CIP/ISEG aponta para um crescimento da economia portuguesa entre 1,8% e 2,2%.

Segundo o diretor-geral da CIP, Rafael Alves Rocha, citado em comunicado, a economia já vinha a mostrar sinais de desaceleração em vários setores.

À tendência de moderação de atividade nos setores da produção industrial, nos serviços e no retalho que vem sendo observada desde novembro, acresce o impacto da interrupção de atividade num número significativo de indústrias e explorações agropecuárias afetadas pelos eventos climáticos extremos que assolaram o território de Portugal”, afirma.

Mercado de trabalho e PRR sustentam procura

Apesar do abrandamento, há fatores que continuam a apoiar a atividade económica.

A evolução muito positiva do mercado de trabalho e a execução dos fundos do PRR deverão continuar a sustentar a procura interna neste trimestre”, sublinha Rafael Alves Rocha.

Entre os indicadores conhecidos para janeiro há alguns sinais positivos, como o crescimento homólogo das vendas de automóveis ligeiros de passageiros (16,1%) e de veículos comerciais ligeiros (5,6%).

Também o consumo de eletricidade aumentou 5,9% em termos homólogos, segundo dados da REN.

Em sentido contrário, a produção de automóveis ligeiros caiu 10,9% face ao mesmo período do ano passado.

Conflito no Médio Oriente aumenta riscos

O barómetro alerta ainda para os efeitos do agravamento das tensões no Médio Oriente, que opõem os Estados Unidos e Israel ao Irão.

Segundo a CIP, o conflito já está a ter impacto nos preços da energia e nos custos de transporte à escala global, em particular no transporte marítimo.

A confederação empresarial avisa que o aumento das tensões geopolíticas pode provocar uma subida prolongada dos preços do petróleo e do gás natural.

Perante esse cenário, Rafael Alves Rocha admite que poderão ser necessárias medidas de apoio.

“Se a escalada prosseguir, será necessário tomar medidas de resposta com duas prioridades imediatas: apoios diretos às empresas mais afetadas pelo acréscimo de custos energéticos; e medidas de caráter mais transversal que amorteçam o impacto da subida dos custos de produção e transporte nos preços no consumidor”, defende.

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