Orçamento retificativo? “Não é nenhuma tragédia”, diz João Cerejeira
06 mar, 2026 - 12:27 • Isabel Pacheco
A subida do preço dos combustíveis na sequência do conflito no Médio Oriente poderá pressionar a inflação e até obrigar a um Orçamento Retificativo. Tudo dependerá, no entanto, da “duração do conflito”, alerta o economista João Cerejeira.
O aumento previsto no preço dos combustíveis poderá ter um impacto quase certo na inflação.
O cenário é admitido pelo economista João Cerejeira, que alerta para os efeitos diretos e indiretos da subida dos combustíveis no dia a dia dos portugueses.
“Subindo os preços da energia, vamos ter um impacto na inflação, não só diretamente na componente dos combustíveis, mas também com efeitos indiretos em todos os produtos que são mais dependentes desses mesmos combustíveis”, afirma esta sexta-feira o docente universitário.
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Segundo explica à Renascença, o impacto deverá sentir-se sobretudo nos transportes e em alguma indústria transformadora muito dependente do gás natural.
Para já, prevê-se que a partir de segunda-feira a gasolina aumente 23 cêntimos por litro e o gasóleo sete cêntimos e meio. Perante esta subida, o primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou na quarta-feira que o Governo deverá avançar com um “desconto extraordinário e temporário” no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) para mitigar o impacto nos consumidores.
Esta medida, somada aos apoios para a reconstrução da região Centro após o mau tempo, poderá levar o Executivo a avançar com um Orçamento Retificativo.
Tudo, porém, dependerá “da magnitude das medidas que o Governo quer implementar”, explica João Cerejeira.
“Se o Governo quiser ser mais contundente nos planos de reconstrução e na mitigação do aumento dos preços, claramente terá de ter um Orçamento Retificativo”, afirma.
Ainda assim, sublinha que um Orçamento Retificativo “não é nenhuma tragédia”. “Não é nada que não tenha acontecido já no passado e, portanto, faz todo o sentido se for necessário”, acrescenta.
Já uma eventual alteração na trajetória das taxas de juro do Banco Central Europeu poderá surgir apenas a médio prazo, admite o economista.
Também aqui, explica, “a duração do conflito” será determinante, caso os efeitos inflacionistas se tornem mais persistentes.
- Noticiário das 1h
- 18 mai, 2026







