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Proprietários florestais

Limpar um hectare de floresta custa até 1.500 euros. “40 milhões não são suficientes”

12 mar, 2026 - 15:23 • João Carlos Malta

A Forestis, Associação Florestal de Portugal, pede celeridade nos apoios e que estes não excluam ninguém. Pede um apoio de pelo menos 800 euros ao Governo pela limpeza de cada hectare.

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A Forestis, Associação Florestal de Portugal, está contente com a ideia de o Governo apoiar os produtores florestais — sobretudo nas zonas afetada pela tempestade Kristin - com vales de apoio para limpar a madeira espalhada pelos terrenos. No entanto, alerta que 40 milhões de euros "não são suficientes" para o apoio que os proprietários necessitam.

O presidente da Forestis, Carlos Duarte, diz à Renascença que “o custo de intervenção por hectare andará entre os 1.000 a 1.500 euros por hectare”, e que, por isso, espera que “o Estado tenha um montante que sirva minimamente de cobertura de custos dos proprietários”.

“No mínimo, acima de 800 euros por cada um dos hectares”, concretiza Carlos Duarte, que tem dúvidas sobre se este apoio será só para as zonas afetadas pelo mau tempo ou se será dirigido a todo o território nacional.

Em entrevista à Renascença, a ministra do Ambiente, Maria de Graça Carvalho, anunciou que o Governo irá criar vales para os proprietários florestais das zonas atingidas pela tempestade Kristin.

No dia anterior, o ministro da Agricultura e Pescas anunciou, no distrito de Leiria, um programa de 40 milhões de euros para os proprietários florestais afetados pela depressão Kristin removerem as árvores caídas e limparem os terrenos.

Os 40 milhões não têm dimensão suficiente para aliviar financeiramente os proprietários”, refere o presidente da Forestis, dada o problema que é visível no terreno nas zonas afetadas pelas tempestades.

Apoio não deve excluir ninguém, dizem proprietários

Carlos Duarte diz também que a bem da segurança do território, produtores que tenham eucaliptos plantados não devem ser excluídos dos apoios como já aconteceu no passado.

“Seria também decisivo que este financiamento fosse dado a todos os proprietários florestais, independentemente das espécies florestais que tivessem na sua mata e que pudessem assegurar que todos eles saiam, com justiça e com equidade, financiados”, defende.

O mesmo dirigente apela ainda que este apoio agora anunciado seja um “processo simples e rápido”, porque “estamos já, a meados de março, a dois meses e meio do início da época de incêndios e com material que está, neste momento, produto das intempéries, nomeadamente da Kristin, no solo há mais de um mês e meio, temos um curto período de tempo para retirar esse material combustível”.

Portanto, mesmo “saudando a medida do Governo”, a Forestis considera que “mais do que a medida”, é importante perceber como é que "vai ser implementada" na prática.

As palavras muitas vezes são bonitas, as ideias são interessantes, mas se forem mal formatadas, mal concretizadas, eventualmente não atingem os objetivos”, denuncia.

Em relação à capacidade real de em tempo útil e antes dos fogos no verão se proceder à limpeza, Carlos Duarte diz que “cada dia que passa, cada vez é mais difícil”. “Naturalmente que fazer a 100% a limpeza vai ser muito difícil”, anui.

No entanto, o presidente da Forestis diz que as depressões já passaram por Portugal há um mês e meio “e até hoje, em concreto, para além do apoio individual ao proprietário de 10 mil euros, não tem havido ainda nenhuma medida significativa que permitisse a retirada do material lenhoso - para que não ficasse lá a aumentar o risco de incêndio e o risco de pragas e doenças”.

O mesmo líder associativo diz que não foram criadas sequer, até ao momento, as condições para criar parques de madeira que pudessem reter o material lenhoso caído nos terrenos, “de forma a não desequilibrar o preço no mercado da venda”.

Sem apoio para desobstruir as acessibilidades aos espaços florestais, neste momento, há um conjunto de caminhos florestais que estão intransitáveis, “pois não há condições para o proprietário chegar à sua parcela sequer”.

“Quanto mais demorar, mais difícil será concretizarmos com alguma dimensão essa intervenção”, remata Carlos Duarte da Forestis.

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