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Economia

Ministro comete gaffe nas contas com batatas: "Em vez de 1 kg, podem comprar 1,3 kg"

18 mar, 2026 - 17:30 • Diogo Camilo

Castro Almeida afirmou que crescimento do salário liquido médio em Portugal "foi o maior de toda a OCDE" e que equivale a "um 15º mês para os trabalhadores e uma parte relevante de um 16º mês".

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O ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, cometeu uma "gaffe" matemática durante a passagem pelo Parlamento esta quarta-feira na Comissão de Economia e Coesão Territorial.

Em audição, e falando sobre o rendimento das famílias, Castro Almeida afirmou que os salários reais dos portugueses terão aumentado 13,7% em dois anos.

Para dar um exemplo prático, usou batatas. Mais especificamente, um quilo de batatas. Só que, ao fazer as contas, colocou 233 gramas a mais nas contas.

"Há um crescimento relevante do salário líquido de 8,2%. Num ano é relevante, muito relevante. Se formos deduzir o valor da inflação em Portugal em dois anos. Em vez de um quilo de batatas, podem comprar-se 1,370 quilos de batatas. Pode-se comprar 13,7% mais de qualquer coisa que se comprava antes", afirmou.

No entanto, a conta do ministro tinha um erro: quando disse "1,370 quilos de batatas", deveria ter dito "1,137 quilos de batatas".

O gabinete do ministro da Economia confirmou o equívoco à Renascença, emitindo uma retificação às redações.

O acréscimo, disse, "é como se o Governo tivesse decretado um 15º mês aos trabalhadores e uma parte relevante de um 16º mês". E, a confirmar-se, será verdade: para um rendimento de 1.500 euros em 2024, um aumento real de 13,7% significa que em 2026 será de cerca de 1.700 euros.

Castro Almeida afirmou ainda que em 2024, o crescimento do salário liquido médio em Portugal "foi o maior de toda a OCDE".

Em números publicados pela OCDE esta terça-feira, é destacado o crescimento do salário real e nominal em 2024 e 2025, mas não o "crescimento líquido real", como o ministro afirmou. A Renascença questionou o Ministério da Economia sobre os números e encontra-se à espera de resposta.

Neste indicador, o crescimento de Portugal não foi o "maior de toda a OCDE", ficando atrás de Turquia, Hungria, Polónia, Lituânia, Letónia e Áustria.

Segundo o relatório, o crescimento nominal em Portugal foi de 8,2% no terceiro trimestre de 2024 em relação ao ano anterior, com um crescimento real na casa dos 6% no mesmo período. Estes números, que se referem ao período entre o quarto trimestre de 2023 e o terceiro trimestre, englobam seis meses onde o Governo em funções não era o de Castro Almeida e Luís Montenegro, mas sim o Governo socialista de António Costa, que esteve à frente até março de 2024.

Já no terceiro trimestre de 2025, face ao período homólogo, o crescimento nominal foi de pouco mais de 4%, enquanto o crescimento real dos salários foi de 2%. Nos números de 2025, o crescimento nominal fica abaixo da média de OCDE, enquanto o crescimento real fica um pouco acima.

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