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Mau tempo. Prejuízos no setor agrícola rondam os 500 milhões de euros

22 mar, 2026 - 09:23 • Lusa

Apoios ainda não chegaram ao terreno, garante CAP.

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O setor agrícola declarou prejuízos de cerca de 500 milhões de euros devido ao mau tempo, que ainda carecem de verificação, segundo o último levantamento a que a CAP teve acesso, e os apoios ainda não chegaram ao terreno.

"O último valor que vi no levantamento chegava quase aos 500 milhões de euros. [O levantamento] é declarativo e ainda precisa de ser verificado, mas ainda não estamos nessa fase. Ninguém se candidatou a nada", avançou o secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, em declarações à Lusa.

A confederação lamentou que o Governo, passado um mês e meio desde que o" comboio" de tempestades afetou o país, não tenha avançado com um apoio específico para o setor agrícola.

De acordo com a CAP, o setor beneficiou apenas do apoio extraordinário de até 10.000 euros por candidato dos concelhos declarados em situação de calamidade.

"Não há sequer a apresentação de candidaturas para apoios. Foi feito um levantamento [dos prejuízos], mas não há prazos, montantes ou regras", disse o secretário-geral da CAP.

Em 12 de fevereiro, o Ministério da Agricultura adiantou à Lusa que tinham sido apresentadas 4.208 declarações de prejuízo devido ao mau tempo, no valor de 303 milhões de euros.

O ministério liderado por José Manuel Fernandes anunciou, no final de janeiro, a abertura de uma medida de restabelecimento do potencial produtivo, devido ao impacto do mau tempo, para investimentos entre 5.000 e 400.000 euros.

A taxa de apoio pode chegar a 100% até um máximo de 10.000 euros.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foi registada em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros. .

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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