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Habitação

Crédito à habitação. DECO alerta para “ligeiro aumento” das prestações

26 mar, 2026 - 05:30 • Marisa Gonçalves

"Não deixar que as prestações ultrapassem os 35 ou 40%" do rendimento mediano é um dos conselhos da DECO.

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A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) antecipou “um ligeiro aumento” do crédito à habitação com taxa variável, numa altura em que o Banco de Portugal revela que as prestações já ultrapassam 40% do rendimento mediano.

Em entrevista à Renascença, a coordenadora do gabinete de proteção financeira da DECO, Natália Nunes, acredita que o impacto destas oscilações no crédito à habitação podem ser sentidas já no próximo mês de abril, em particular para as famílias com taxa variável.

Desde a guerra na Ucrânia que as taxas de esforço têm vindo a subir e o conflito no Médio Oriente veio agravar a situação financeira das famílias.

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"Se em abril se confirmar uma revisão da prestação e um ligeiro aumento das prestações, as famílias que já têm, neste momento, taxas de esforço de 35 a 40% e crédito à habitação variável vão ter um impacto ainda maior na taxa de esforço", explicou.

Perante um país em que a maioria dos contratos de empréstimos para crédito à habitação é maioritariamente de taxa variável, Natália Nunes destacou a importância dos bancos e das famílias analisarem e controlarem a taxa de esforço sobre as suas casas. "É um elemento fundamental."

A representante da DECO defende, por isso, a importância de conceder crédito de forma responsável e de maneira que não exceda a taxa de esforço das famílias.

Para evitar complicações no futuro, Natália Nunes recordou que é necessário avaliar o peso que as prestações com crédito têm no orçamento familiar.

"Não deixar que ultrapassem os 35 ou 40% e preparar um fundo de emergência que deverá corresponder a seis vezes àquilo que é necessário para suportar as minhas despesas" são as duas principais recomendações da coordenadora da associação.

No caso de quem tem crédito à habitação com taxa variável, Natália relembrou que se deve "acompanhar o mercado para poder negociar com o banco e também é fundamental, se a taxa é variável, acompanhar a evolução da Euribor para fazer simulações”.

Ainda segundo o mesmo estudo do Banco de Portugal, no caso do arrendamento, as dificuldades no acesso mantêm-se.

O rácio entre a renda de uma casa mediana e o rendimento mediano das famílias passou de 36% em 2019 para 47% no início de 2025, refletindo a subida dos arrendamentos.

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