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Confiança dos consumidores recua para mínimos desde 2023 em contexto de guerra

30 mar, 2026 - 10:34 • Olímpia Mairos , com Lusa

Expectativas das famílias deterioram-se e receios de inflação aumentam com impacto do conflito no Médio Oriente.

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O indicador de confiança dos consumidores caiu em março para o valor mais baixo desde dezembro de 2023, num período marcado pela instabilidade provocada pela guerra no Médio Oriente, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

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De acordo com os inquéritos de conjuntura, o indicador “diminuiu nos últimos dois meses, registando uma redução significativa em março”, explicada sobretudo pelos “expressivos contributos negativos das perspetivas sobre a evolução futura da situação económica do país e da situação financeira do agregado familiar”.

O INE destaca que também contribuíram para esta quebra, ainda que de forma mais moderada, as avaliações negativas sobre a evolução passada das finanças familiares e a redução das intenções de realizar compras importantes.

Outro dado relevante é que as perspetivas dos consumidores sobre a evolução futura da economia atingiram o nível mais baixo desde janeiro de 2023. Segundo o INE, este indicador “diminuiu nos últimos dois meses, de forma significativa em março”.

Em sentido inverso, as expectativas de aumento de preços intensificaram-se, tendo registado em março o segundo maior crescimento da série e o valor mais elevado desde março de 2022. O gabinete de estatísticas sublinha que “o saldo das expectativas sobre a evolução futura dos preços aumentou nos últimos três meses”, antecipando pressões inflacionistas acrescidas, associadas ao conflito no Médio Oriente.

Também o indicador de clima económico recuou em março para valores próximos dos registados há um ano, depois de uma ligeira subida no mês anterior.

A evolução foi desigual entre setores: a confiança diminuiu no comércio e na construção, enquanto aumentou nos serviços e na indústria transformadora.

No caso da indústria, o INE explica que o indicador aumentou, ainda que ligeiramente, “refletindo o contributo positivo das apreciações relativas aos stocks de produtos acabados e das opiniões sobre a evolução da procura global”.

Ainda assim, os empresários revelam expectativas de subida dos preços de venda, antecipando um possível agravamento da inflação.

Este conjunto de indicadores reflete um cenário de maior cautela por parte das famílias e das empresas, num contexto internacional marcado por incerteza e pressões económicas.

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