Trabalho
Pacote laboral: UGT inclinada para o "não", mas quer mais negociações
08 abr, 2026 - 23:27 • Alexandre Abrantes Neves
Sindicatos consideram que processo negocial ainda não acabou: "A nossa matriz é esta. Quando há matérias que ainda podem ser negociadas, queremos negociá-las", afirma fonte sindical. Ainda assim, há divisões dentro da UGT, com a ala social-democrata a avisar que este não é o tempo para "morrer na praia".
A UGT estará inclinada para rejeitar esta quinta-feira a mais recente versão proposta de reforma laboral do Governo, avançou o semanário Expresso e confirmou, entretanto, a Renascença.
Esta quinta-feira, a central sindical decide em reunião do Secretariado Nacional a posição final sobre a versão entregue pelo Governo na passada segunda-feira e o mais provável é que saia "fumo negro" do encontro entre os vários sindicatos afetos à UGT.
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“Não estamos convictos que terá acabado a negociação”, admite fonte sindical à Renascença. “A nossa matriz é esta. Quando há matérias que ainda podem ser negociadas, queremos negociá-las”.
A postura é, ainda assim, bem mais flexível do que aquela no final do ano passado, quando todas as alas da UGT votaram a favor da greve geral, marcada em conjunto com a CGTP. “Não é um ‘não’ tão forte. Queremos é negociar”, vinca o mesmo sindicalista.
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A visão é simples: a UGT não dá o assunto por encerrado, mostra esperança num acordo, não menciona a possibilidade de novas paralisações e, assim, pressionar o governo a não dar por concluído o processo negocial.
Só assim serão ultrapassadas as linhas vermelhas definidas pela UGT (nomeadamente, o “outsourcing”, o regresso do banco de horas e o alargamento dos contratos a termo) – e que, apesar da vocalidade do secretário-geral Mário Mourão, começam a dividir a central sindical, com alguns membros da central sindical a considerarem avanços por parte do Governo.
“Houve uma enorme evolução”, reconhece outra fonte, mais próxima da ala social-democrata da UGT. “Na nossa perspetiva, até já haveria condições para um ‘sim’. O importante agora é que não se fechem as portas”.
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Na leitura desta voz sindical, falta mesmo “muito pouco” para haver um acordo na concertação social que facilite a aprovação do diploma no Parlamento (com abstenção ou voto a favor do Partido Socialista) e afaste o Chega da equação. “Recusar agora seria como morrer na praia”, avisa.
Na noite desta quarta-feira, o primeiro-ministro aproveitou o Conselho Nacional do PSD para deixar alertas à UGT. Sem falar em fechar negociações, Luís Montenegro frisou, no entanto, várias vezes que não vê qualquer razão para oura decisão dos sindicatos que não aceitar a proposta do Governo.
“Francamente, francamente, com toda a aproximação que foi já denotada por todos os intervenientes, em particular pelo Governo, estou muito à vontade. Acompanho a par e passo, ao dia, à hora e ao minuto, tudo aquilo que foi feito e está a ser feito. Será indesculpável que o país não aproveite esta oportunidade para criar as condições para podermos pagar melhores salários”, afirmou Montenegro.
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