Impostos
OCDE defende mais IMI e menos IRS em Portugal
09 abr, 2026 - 08:30 • Sandra Afonso
Uma simplificação fiscal, com menos impostos sobre o trabalho e sobre a transmissão de propriedades e mais tributação sobre a posse de casas e terrenos. É a recomendação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico para o país, no primeiro relatório com as Bases para o Crescimento e Competitividade.
Portugal continua na cauda das economias avançadas, membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Na primeira edição do relatório que reúne as Bases para o Crescimento e o Desenvolvimento, a OCDE deixa várias recomendações ao país, com destaque para a reestruturação do sistema tributário.
No topo das recomendações está o alargamento da base fiscal. Portugal está no grupo dos 13 países que devem tributar mais pessoas, reduzindo isenções e benefícios fiscais.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
A OCDE diz ainda que Portugal beneficiava se aumentasse o peso dos impostos indiretos, por exemplo, com mais tributação sobre a propriedade ou mais taxas ambientais.
Estas subidas devem ser acompanhadas pela descida da carga fiscal sobre o trabalho, a terceira medida que abrange mais países, incluindo Portugal. A OCDE sublinha que alívios fiscais no IRS, nos impostos sobre o rendimento, “têm sido associados a mais investimento e mais emprego no curto prazo”. Na economia nacional estes alívios devem beneficiar os salários mais baixos.
Na habitação, o relatório defende simplificação e flexibilidade na gestão urbanística, para aumentar a oferta de casas no país. Portugal deve ainda “melhorar a coordenação e reduzir a sobreposição de responsabilidades entre os diferentes níveis de governo, abordar a descentralização excessiva e harmonizar a regulamentação entre os municípios”.
Os impostos devem incidir mais sobre a posse (IMI - Impostos Municipal sobre Imóveis) e menos sobre as transações (IMT), para incentivar a mobilidade, o mercado de trabalho e o crescimento.
O país deve dar prioridade à habitação social, uma área onde Portugal compara muito mal com os restantes membros da OCDE.
Segundo o relatório, “o desempenho económico de Portugal continua atrás da maioria das economias avançadas”. A produtividade cresce pouco, o emprego pode crescer mais entre os jovens, mulheres e idosos e o envelhecimento da população exige uma economia mais flexível.
A OCDE defende menos barreiras concorrenciais, melhor formação, mais apoio à infância, incentivos ao prolongamento do trabalho. Diz também que as economias, incluindo a portuguesa, podem beneficiar com leis laborais mais flexíveis. Para Portugal, sugere a promoção de compensações proporcionais nos casos de despedimentos injusto. A possibilidade do trabalhador regressar à empresa é uma das medidas em aberto na revisão promovida pelo Governo.
Portugal deve ainda investir na expansão da rede de transportes públicos, sobretudo ferroviários, nas energias renováveis e em mecanismos público-privados de resposta às alterações climáticas.
- Noticiário das 16h
- 15 abr, 2026







