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Aviação

Quebra de lucros na TAP “não é uma catástrofe para a privatização”

09 abr, 2026 - 13:16 • Hugo Monteiro , João Carlos Malta

Pedro Castro, especialista em aviação, diz que foram as mudanças no IRC a pressionar em baixa os lucros da TAP e lembra que o comprador não vai poder alterar a morada fiscal para melhorar os números da companhia aérea, porque vai ter uma posição minoritária.

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É "mais uma vírgula" que os potenciais compradores vão ter de analisar. É assim que especialista em aviação Pedro Castro, olha para a redução dos lucros da TAP, numa altura me que a companhia atravessa o processo de privatização de 49,9% do capital.

No entanto, Pedro Castro afasta a eventualidade do resultado vir a alterar o valor da empresa.

A TAP registou uma queda de 92% no lucro líquido no ano passado. No ano passado, a companhia aérea portuguesa teve um resultado líquido de 4,2 milhões de euros. Para estes resultados, segundo escreve a TAP contribuem o efeito extraordinário de atualização de IRC e o aumento dos custos num momento de incerteza no setor.

Há um ano a TAP tinha registado lucro de 53,7 milhões de euros, ano em que já tinha registado um decréscimo de 70%.

Pedro Castro lembra, contudo, que a quebra nos lucros demonstra que o modelo desenhado pelo Governo para a companhia aérea - e que o futuro comprador está obrigado a cumprir - não está a ter a compensação esperada.

“Estes resultados são mais uma vírgula. Não concordo que sejam uma catástrofe para o processo de privatização ou o privado estava a pensar uma coisa e agora viu estes resultados e vai embora. Não”, defende.

“Isto é só mais uma vírgula que eles vão ter que analisar. Mas sobretudo, o que é que estes resultados nos dizem? É que esta conversa de sermos a ponte do Brasil e dos Estados Unidos para a Europa, não vale tudo isso. O retorno que nós temos enquanto empresa aérea, ele é pouco”, define o especialista.

No relatório de contas, a empresa aponta o efeito extraordinário da atualização de IRC como uma das causas para o resultado menos positivo. Esse é um dos pontos que os dois grupos que concorrem à privatização de parte da TAP irão agora analisar

Pedro Castro lembra que o comprador terá uma posição minoritária na empresa, e não vai poder alterar a morada fiscal para melhorar os números da companhia aérea.

“Se eu quiser mudar a minha residência fiscal, como é meu direito, enquanto empresa europeia, eu não vou poder fazer isso porque eu tenho ali um acionista maioritário que me vai bloquear isso. Jamais o Estado português vai em Assembleia Geral aprovar e tem essa maioria de bloqueio, essa mudança de residência fiscal. E isto é um ponto prático que estes resultados mostraram, porque a TAP está a queixar do ajuste do IRC”, remara o especialista em aviação, Pedro Castro.

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