Macroeconomia
FMI revê em baixa crescimento para Portugal e admite recessão económica global
14 abr, 2026 - 15:26 • Diogo Camilo e Lusa
Projeções atuais apontam para uma inflação acima dos 4% este ano, com um cenário adverso quase nos 5,5% de inflação. No pior dos cenários, se a guerra no Médio Oriente continuar, a economia mundial poderá aproximar-se de uma recessão — algo que apenas aconteceu por quatro vezes desde 1980.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu esta terça-feira um cenário de recessão económica global no caso da intensificação do conflito no Médio Oriente levar a danos nas infraestruturas energéticas da região.
Na atualização das Previsões Económicas Mundiais, o FMI avisou que o mundo poderá já estar a caminhar para um "cenário adverso" com um crescimento de apenas 2,5% em 2026, ou na melhor das hipóteses de 3,1%, adiantou o economista-chefe, Pierre-Olivier Gouurinchas.
No pior dos cenários, estima o FMI, a inflação mundial pode ultrapassar os 6% em 2027 e ser de mais de 5,5% este ano.
No cenário atual de referência, o FMI atualizou as previsões de crescimento global para 3,1% em 2026 (menos 0,2 pontos percentuais que no relatório de janeiro) e de 3,2% no próximo ano, abaixo dos 3,4% da previsão anterior. Para a inflação, o Fundo Monetário Internacional projeta uma inflação de 4,4% este ano e de 3,7% em 2027.
Na conferência de imprensa, Gouurinchas avisou que a cada dia que existem novas quebras no fornecimento de fontes de energia no Médio Oriente, acontecem atualizações de preços que levam a quem os cenários mais pessimistas se tornem mais prováveis. O economista-chefe do FMI avançou ainda que o mundo está agora entre a previsão de referência e a de um cenário adverso.
Neste cenário adverso, o FMI estima que o crescimento global deverá avançar 2,5%, enquanto a inflação será de 5,4%.
No pior dos cenários, a economia mundial poderia aproximar-se de uma recessão, com um crescimento de 2,2% — algo que apenas aconteceu por quatro vezes desde 1980. Neste cenário mais severo, a inflação seria de 5,8% este ano e de 6,1% em 2027.
Revisão em baixa para Portugal de 1,9% em 2026
Na sua previsão para Portugal, o FMI reviu em baixa a estimativa de crescimento da economia portuguesa, de 2,1% para 1,9% este ano.
Em linha com a estimativa para o resto do mundo, para 2027 o o FMI prevê agora um crescimento de 1,8% em Portugal, de acordo com a atualização do WEO divulgada esta terça-feira pela instituição. Portugal fica, ainda assim, segundo as projeções acima das projeções da zona euro.
Para a zona euro, o FMI estima que a economia da zona euro vai crescer 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027, segundo as previsões divulgadas.
Esta previsão representa uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais em cada ano, em comparação com a atualização do World Economic Outlook de janeiro de 2026, “com o efeito do crescimento melhor do que o esperado no final de 2025 a dar lugar ao impacto negativo do conflito no Médio Oriente”.
As projeções do FMI apontam para um crescimento da economia alemã de 0,8% em 2026, enquanto a economia francesa deverá crescer 0,9% e a italiana 0,5%.
A inflação na zona euro deverá superar temporariamente os 2% em 2026 e permanecer acima da meta em 2027, prevê o FMI, enquanto a inflação subjacente deverá aumentar de forma mais modesta.
[artigo atualizado às 17h34 com as projeções para Portugal e para a zona euro]
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