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Nazaré Costa Cabral acusa Ministro das Finanças de fazer declarações injustas e "ofensivas"

15 abr, 2026 - 17:32 • Sandra Afonso

"Sempre acreditei que o ministro das Finanças respeita a independência do Conselho de Finanças Públicas e quero continuar a acreditar", diz a presidente do organismo, Nazaré Costa Cabral, que lamenta o ajuste de contas.

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Nazaré da Costa Cabral diz que não fazem "projeções políticas no Conselho das Finanças Públicas" e que as afirmações do ministro das Finanças sobre a instituição "não foram justas nem corretas" e até foram "um bocadinho ofensivas".

É a reação da presidente do Conselho das Finanças Públicas às declarações de Miranda Sarmento numa audição parlamentar no final de março. O ministro das Finanças destacou as diferenças entre as previsões das instituições e o saldo orçamental de 2025, reiterando que "as críticas políticas e sobretudo as críticas ao aumento da despesa líquida primária aconteceram a partir do momento em que a AD foi para o Governo".

Na apresentação das novas previsões, Nazaré Costa Cabral defendeu que o organismo que dirige faz um "trabalho técnico e é muito sério e não pode ser questionado dessa maneira em lado nenhum".

"Essas afirmações no que diz respeito ao CFP não foram afirmações justas, corretas e no que diz respeito à presidente foram afirmações até um bocadinho ofensivas em relação à minha pessoa", diz Nazaré Costa Cabral.

Acrescenta ainda que está no CFP há sete anos e nunca interferiu nos resultados das projeções nem no trabalho técnico da equipa.

A responsável lembra que o CFP tem "sempre o cuidado de dizer que são projeções em políticas invariantes", ou seja, não considera novas medidas de política económica. A divergência apontada pelo ministro, resultou essencialmente do comportamento da receita fiscal, nomeadamente do IVA, explicou.

Nazaré Cabral recorda que o ministro também corrigiu as próprias contas, depois da revisão do INE, para um excedente de 0,3% em outubro, "com um conhecimento muito mais fino”.

"Sempre acreditei que o ministro das Finanças respeita a independência do CFP e quero continuar a acreditar", diz. Até porque esta instituição "está sempre sob escrutínio, com um nível de exposição enorme".

Esta é uma altura particularmente sensível, porque chegou ao fim o mandato de Nazaré Costa Cabral e "quando há uma mudança na liderança duma instituição como estas precisa de tranquilidade institucional". Não podem existir tentativas de "pôr em causa a credibilidade de uma instituição destas", avisa.

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