António Costa e Silva
Saída dos Emirados da OPEP "pode baixar os preços", mas só dentro de dois anos
28 abr, 2026 - 19:21 • Sandra Afonso
Costa e Silva diz que “é evidente que o Presidente americano é hoje o principal responsável pelos preços do petróleo estarem a aumentar no mundo, o que dá muito a ganhar às companhias norte-americanas”.
A saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) terá, no imediato, um "impacto limitado" nos preços, mas dentro de dois anos pode aliviar os custos do barril, afirma António Costa e Silva, ex-ministro da Economia e antigo presidente da Partex.
É uma decisão “mais ou menos previsível”, a saída dos Emirados Árabes Unidos da OPEP, criada em 1960, para regular a produção de petróleo e o preço do mercado. António Costa e Silva defende ainda que, enquanto durar a guerra no Médio Oriente e as dificuldades de transporte de crude, não deverá influenciar o preço do barril.
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À Renascença, o antigo ministro da Economia e ex-presidente da Partex Oil and Gas, empresa petrolífera detida pela Fundação Gulbenkian até 2019, explica que há cerca de um ano que se agravam as relações entre a liderança política dos Emirados Árabes Unidos, com o sheikh Mohammed Bin Zayed, e a liderança política da Arábia Saudita, com o príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman.
“Quer um, quer outro dos príncipes, afastaram-se muito do que era a linha dos seus pais, que eram pessoas muito sábias”, explica António Costa e Silva. O sheikh Zayed nos Emirados Árabes Unidos é “o grande unificador dos sete Emirados, conseguiu regular todas as tensões que tinha com os vizinhos e garantir um ciclo de prosperidade”.
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O que aconteceu? O sucessor, o sheikh Mohammed Bin Zayed, apoia vários grupos em guerras na região, inclusive um grupo que “estava num processo de invasão das fronteiras da Arábia Saudita”. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita estão sempre em posições opostas nos conflitos regionais, acrescenta.
Esta saída dos Emirados da OPEP é ainda influenciada pela administração de Donald Trump. António Costa e Silva lembra que o Presidente norte-americano “tem criticado muito a OPEP” e apelado ao cartel para que “deixe de ter políticas que desenvolvem e reforçam os preços do petróleo e aumente a produção”.
Trump "dá muito a ganhar às companhias norte-americanas”
Os Estados Unidos são hoje o maior produtor mundial de petróleo, “produzem 14 milhões e meio de barris por dia”, e o maior produtor de gás. Costa e Silva diz que “é evidente que o Presidente americano é hoje o principal responsável pelos preços do petróleo estarem a aumentar no mundo, o que dá muito a ganhar às companhias norte-americanas”.
Segundo o economista, “os Emirados estão a fazer uma jogada geopolítica para fragilizar a OPEP, para reafirmarem a sua posição, para reforçarem a sua aliança com os Estados Unidos e se assumirem como um dos grandes polos para o futuro e para a hegemonia política”.
“Isto é mau”, alerta Costa e Silva, desestabiliza o diálogo político na região e “no imediato o impacto nos mercados não vai ser muito perceptível, vai ser muito limitado”.
"Vai ser muito difícil regressar aos 70 dólares que existiam antes da guerra do Irão"
A Arábia Saudita é o maior produtor da região, com 10 milhões de barris diários, mas os Emirados contribuem com quatro milhões de barris e têm capacidade para mais. Mas as instalações petrolíferas “hoje estão paradas”, devido às dificuldades de circulação e ao esgotamento da capacidade de armazenagem. Há ainda muitas estruturas danificadas pelos bombardeamentos.
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“Nós vamos ter aqui um período grande de preços altos do petróleo, vai ser muito difícil regressar aos níveis dos 70 dólares que existiam antes da guerra do Irão”, avisa o ex-ministro.
“Vamos passar aqui um, dois anos com grande dificuldade e os mercados nesta altura o que estão a antecipar é a transformação de uma crise de preços numa crise de abastecimento”, diz. Isso já está a acontecer em vários países “e vai inevitavelmente ter repercussões na Europa”, alerta.
Dentro de dois anos esta decisão dos Emirados deverá favorecer os consumidores. “Quando tudo se normalizar, quando o mercado petrolífero se normalizar, os Emirados podem aumentar a sua produção, mais produção no mercado significa que podemos ter preços mais baixos, mas a médio e longo prazo, não nos próximos dois anos”, defende Costa e Silva.
Há ainda outro imponderável, “não sabemos quanto tempo é que esta crise vai durar e cada cinco dias que passam são 100 milhões de barris que faltam no mercado mundial”, explica.
O antigo presidente da Partex defende ainda que este afastamento dos Emirados da OPEP não deverá ser passageiro. “Vai ser muito difícil no tempo mais próximo regressarem, porque isto é uma decisão que é pensada, é uma decisão geopolítica e é uma decisão económica”.
Atualmente a OPEP conta com 11 países, os maiores produtores de petróleo da região. A partir de sexta-feira, 1 de maio, serão 10 países.
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- 14 mai, 2026














