Ouvir
  • Noticiário das 1h
  • 17 jun, 2026
A+ / A-

Estudo Fundação Francisco Manuel dos Santos

Cada euro investido no ensino superior traduz-se em quase 14 euros de ganhos salariais.

14 mai, 2026 - 02:00 • José Pedro Frazão , com Lusa

Um estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos confirma que concluir uma licenciatura ou um mestrado tem vantagens salariais ao longo da vida profissional. No entanto, Portugal é dos países que menos investe no ensino superior, com as famílias portuguesas a suportarem 30% das despesas iniciais, mais do dobro da média da União Europeia

A+ / A-

Os jovens diplomados obtêm quase 14 euros em ganhos salariais por cada euro investido no ensino superior, segundo um estudo que confirma que concluir uma licenciatura tem vantagens no início da carreira e ao longo da vida profissional.

Divulgado esta quinta-feira, o estudo "Ensino superior e emprego jovem em Portugal" da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) analisou os ganhos económicos associados ao prosseguimento dos estudos no ensino superior.

Além das vantagens associadas ao ensino superior nas taxas de emprego e salários, amplamente estudadas, a equipa coordenada pelo investigador Luís Catela Nunes foi mais longe e calculou o retorno financeiro líquido do investimento no ensino superior.

"Por cada euro que um aluno investe no ensino superior, tem um retorno de 13,7 euros. São quase 14 euros. É uma rentabilidade enorme. Poucos investimentos têm uma rentabilidade tão grande como este do ensino superior. Portugal é dos países que têm uma rentabilidade tão alta", assinala o professor da NOVA SBE no programa "Da Capa à Contracapa" da Renascença, em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que será transmitido na próxima terça-feira.

Este indicador resulta da diferença entre os ganhos salariais ao longo da vida e os custos diretos de frequentar o ensino superior e rendimentos de trabalho sacrificados por prosseguir os estudos ao invés de entrar no mercado de trabalho logo após o ensino secundário (custos indiretos).

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Com os custos individuais mais baixos (valores absolutos) na União Europeia, em particular os custos indiretos devido aos baixos salários para diplomados do ensino secundário, Portugal destaca-se no contexto europeu pela relação benefício-custo "muito elevada".

Portugal é dos países da OCDE onde se investe menos nas instituições de ensino superior, na conjugação de investimento público e privado.

As despesas por estudante nas universidades e politécnicos estão 35% abaixo da média da União Europeia. As famílias portuguesas suportam 30% das despesas com ensino superior, mais do dobro da média da UE, que é de 13%. Os custos diretos calculados neste estudo não incluem despesas com habitação.

"Apesar dos custos absolutos serem baixos, e as propinas, em termos absolutos, serem baixas em Portugal, os custos iniciais do ensino superior é dos mais caros, comparando com o rendimento das famílias", observa Luis Catela Nunes no "Da Capa à Contracapa".

Entre as recomendações, o estudo alerta que, se o financiamento acrescido tiver as propinas como origem, o sistema de bolsas para alunos com menos disponibilidade financeira tem de ser reforçado.

"Se Portugal se quer afirmar como uma economia com maiores rendimentos per capita e qualificações, a educação é um motor essencial para o crescimento económico", argumenta o coordenador do estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

No "policy paper" divulgado – o quinto produzido pela Fundação e o segundo dedicado à Educação – os autores analisaram também, em detalhe, as taxas de empregabilidade e os salários obtidos pelos diplomados do ensino superior, em comparação com os jovens que apenas concluíram o ensino secundário.

Desde logo, arranjar emprego depois de terminar os estudos parece ser uma tarefa mais fácil para quem sai das universidades.

Um ano após concluírem o curso, 75% dos licenciados já está a trabalhar e entre os mestrados as taxas de emprego chegam aos 88%, em ambos os casos acima dos diplomados de cursos profissionais (72%) e científico-humanísticos (56%) do ensino secundário.

As vantagens são ainda mais expressivas em termos salários e chegar ao mercado de trabalho com um diploma do ensino superior traduz-se, em geral, em rendimentos significativamente mais altos (mais 28% para licenciados e mais 49% para jovens com mestrado).

Essa vantagem salarial é suficiente para superar os anos de experiência perdidos face a quem começou a trabalhar mais cedo.

Com três anos de experiência, um trabalhador que concluiu apenas no ensino secundário ganha, ainda assim, menos do que um licenciado em início de carreira, da mesma forma que um licenciado com dois anos de experiência ganha menos do que um jovem com mestrado no primeiro ano de trabalho.

Ao longo da carreira, o fosso entre diplomados do ensino superior e do secundário torna-se ainda maior, uma vez que os primeiros podem antecipar uma progressão salarial mais rápida.

Há, no entanto, áreas com melhores salários do que outras – em particular, as áreas das Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática – e realidades muito díspares dentro da mesma área, dependendo das funções, mas também de fatores como a perceção dos empregadores quanto à qualidade da educação e reputação das instituições frequentadas, ou características individuais.

Por isso, os autores recomendam o reforço da orientação profissional mesmo antes do ensino secundário, mas também mais informação sobre os resultados alcançados pelos diplomados do ensino superior, para que os estudantes possam fazer escolhas informadas quanto ao seu percurso formativo.

Ouvir
  • Noticiário das 1h
  • 17 jun, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque