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Barómetro

​Maioria admite trabalhar depois da reforma porque a pensão não será suficiente

15 mai, 2026 - 06:00 • Sandra Afonso

Barómetro da Universidade Católica e Doutor Finanças revela que quase metade não acredita que a Segurança Social pague pensões no futuro, 68% já poupam para a reforma, mas três em cada quatro inquiridos não sabem quanto precisam de poupar para manter o nível de vida.

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Depois da saúde, a dependência de familiares e a perda de rendimentos são a principal preocupação associada à reforma. É o que revela o barómetro da Universidade Católica e do Doutor Finanças, um portal de aconselhamento financeiro, publicado esta sexta-feira, Dia Mundial da Família.

De acordo com este inquérito, mais de metade dos inquiridos (54%) antecipa dificuldades financeiras na reforma: 32% esperam dificuldades em manter o nível de vida e 22% receiam não conseguir cobrir despesas essenciais.

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O “Aging Report 2024” da Comissão Europeia estima que a pensão média em Portugal caia para 38,5% do último ordenado, em 2050, se nada mudar. Hoje, a pensão mediana dos portugueses, entre os 65 e os 74 anos, corresponde a 68% do salário mediano da população com mais de 55 anos.

Os inquiridos mostram um “elevado nível de ceticismo” sobre a sustentabilidade da Segurança Social. Verca de 47% não acreditam que as pensões futuras estejam garantidas e 55% consideram que a pensão pública não será suficiente para manter o nível de vida.

As mulheres expressam maior preocupação com a reforma, manifestando menos confiança (14% vs. 18% nos homens) e mais medo (16% vs. 10%) e ansiedade (12% vs. 11%).

Antecipando esta redução dos rendimentos na velhice, a maioria (52%) admite continuar a trabalhar após a idade da reforma, a tempo inteiro ou parcial.

Estes planos chocam com o que gostariam de fazer. A maioria preferia sair do mercado de trabalho “relativamente cedo”, três quartos gostaria de trabalhar só até aos 65 anos. Com penalizações até 10%, 33% dos inquiridos admitem antecipar a reforma.

Muitos já poupam para garantirem uma velhice mais confortável, mas 73% não sabe quanto terá de amealhar para manter o nível de vida e 63% nunca fizeram sequer uma simulação da pensão que irão receber.

No total, 68% dizem poupar para a reforma, mas só 34% o faz de forma sistemática e regular. Mais de metade diz que não poupa mais porque não consegue, por falta de rendimentos.

Os portugueses revelam ainda uma grande aversão ao risco. Os principais destinos desta poupança são o PPR ou fundos (30%), depósitos bancários (27%), nenhum instrumento financeiro (26%) ou o imobiliário (17%).

“O português é um investidor muito conservador, o que por um lado é bom porque não investe no que não percebe, mas tem a desvantagem de serem produtos com retorno bastante reduzido, o que não permite alcançar outros objetivos”, explica Sérgio Cardoso, Administrador da Academia do Doutor Finanças.

Os mais novos são quem mais poupa para a velhice e quanto maior é o nível de escolaridade maior é a preocupação sobre o tema.

Na reforma, a maioria valoriza o tempo livre e o lazer e coloca as viagens no topo das preferências (58%). Em segundo plano, surgem as relações pessoais, com 19% a quererem passar mais tempo com família e amigos. Já 8% pretendem ajudar a família.

Este inquérito foi realizado por telefone, entre 25 de fevereiro e 12 de março de 2025, junto de residentes em Portugal, com mais de 18 anos. A margem de erro máximo é de 4% para um nível de confiança de 95%.

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