Bruxelas prevê défice de 0,1% este ano em Portugal
21 mai, 2026 - 11:00 • Olímpia Mairos
Previsões mais pessimistas do que as do Governo, que tinha projetado um saldo orçamental nulo este ano.
A Comissão Europeia está mais pessimista do que o Governo português quanto às contas públicas e antecipa que Portugal regressará a uma situação de défice orçamental já em 2026, pressionado pelo impacto das medidas de apoio após as tempestades e pelas reduções de impostos.
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Nas previsões económicas de primavera, divulgadas esta quinta-feira, Bruxelas estima que Portugal registe um défice de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e de 0,4% em 2027, assumindo a manutenção das atuais políticas económicas.
O cenário contrasta com as projeções do Governo, que apontavam para um saldo orçamental nulo este ano.
Segundo a Comissão Europeia, “as perspetivas económicas são menos positivas devido a uma série de choques adversos”, embora seja esperado que o crescimento económico português continue “sólido” em 2026 e 2027.
Bruxelas alerta ainda para um aumento da inflação já no próximo ano, impulsionado pela subida dos preços da energia, prevendo depois uma desaceleração em 2027. Ao mesmo tempo, é antecipada uma descida marginal da taxa de desemprego, apesar de um menor crescimento do emprego e da oferta de mão de obra.
A Comissão Europeia prevê que a dívida pública continue a descer, depois de cair abaixo dos 90% do PIB em 2025.
Choque energético trava crescimento europeu
A nível europeu, as previsões de primavera da Comissão Europeia apontam para um abrandamento da economia da União Europeia devido ao choque energético provocado pelo conflito no Médio Oriente, que está a alimentar a inflação e a deteriorar as expectativas económicas.
Até fevereiro deste ano, Bruxelas previa um crescimento moderado acompanhado de uma nova descida da inflação, mas o agravamento do conflito alterou significativamente o cenário económico.
Segundo a Comissão, a inflação começou a acelerar poucas semanas após o início do conflito, devido à forte subida dos preços das matérias-primas energéticas, ao mesmo tempo que a atividade económica perdeu dinamismo.
Após um crescimento de 1,5% em 2025, a economia da União Europeia deverá crescer apenas 1,1% em 2026, abaixo dos 1,4% previstos no outono passado. Para 2027, Bruxelas prevê uma recuperação moderada para 1,4%.
Na zona euro, o crescimento deverá situar-se nos 0,9% em 2026 e 1,2% em 2027.
Já a inflação deverá atingir 3,1% na União Europeia em 2026, mais um ponto percentual do que o anteriormente estimado, antes de desacelerar para 2,4% em 2027. Na zona euro, a inflação deverá fixar-se em 3,0% em 2026 e 2,3% em 2027.
[notícia atualizada às 15h54 de 21 de maio de 2026, para acrescentar informação]
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