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Governo confirma contacto da Mitsubishi Fuso sobre eventual "lay-off"

03 jun, 2026 - 00:26 • Lusa

Medida poderá abranger até 400 trabalhadores durante o mês de julho.

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O Governo confirmou que a Mitsubishi Fuso informou o IEFP da intenção de avançar com um eventual "lay-off" que poderá abranger até 400 trabalhadores em julho, segundo uma resposta enviada ao PCP a que a Lusa teve esta terça-feira acesso.

Na resposta à pergunta apresentada pelos comunistas sobre a situação laboral na fábrica do Tramagal, no concelho de Abrantes, o Ministério do Trabalho indica que o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) se encontra "em articulação direta com a empresa", que comunicou a intenção de avançar com um eventual processo de "lay-off".

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Segundo o documento, datado de 15 de maio, o processo "poderá envolver até 400 postos de trabalho durante o mês de julho de 2026" naquela unidade fabril do distrito de Santarém.

O Governo refere ainda que, em 30 de março, foi realizada uma reunião entre responsáveis do IEFP e da empresa para preparar respostas formativas destinadas aos trabalhadores abrangidos, encontrando-se o instituto a aguardar uma decisão da Mitsubishi Fuso.

Por outro lado, a tutela indica que não foi comunicada à Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) qualquer situação de despedimento coletivo nem solicitada a abertura de um processo de prevenção de conflitos.

A resposta acrescenta que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) realizou uma visita inspetiva à unidade industrial do Tramagal e que, até ao momento, não foi requerido qualquer processo de redução temporária do período normal de trabalho ou suspensão de contratos por crise empresarial.

Num comunicado hoje divulgado, a Comissão Concelhia de Abrantes do PCP afirma que a resposta do Governo demonstra que o executivo tinha conhecimento da situação "desde março" deste ano.

"Enquanto afirma não ter sido formalmente informado sobre qualquer processo de "lay-off" ou despedimento, o próprio Governo admite que o IEFP se encontrava, desde março, em articulação com a empresa para preparar um processo que poderá abranger até 400 trabalhadores", refere o PCP.

Os comunistas acusam o executivo de se limitar a acompanhar o processo, apesar dos impactos que a medida poderá ter nos trabalhadores e respetivas famílias, defendendo a proteção dos postos de trabalho e dos salários.

Em abril, a Mitsubishi Fuso confirmou à Lusa que não está prevista produção na fábrica do Tramagal durante o mês de julho, no âmbito de um ajustamento do planeamento operacional associado à transição do modelo europeu de encomendas e distribuição.

Na mesma ocasião, a empresa admitiu a adaptação da estrutura de recursos humanos através de um programa de saídas voluntárias, enquanto o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras (SITE-CSRA) apontou para a saída de cerca de 40 trabalhadores e alertou para a aplicação de um regime de "lay-off" durante o período de paragem.

A paragem da produção, prevista para o mês de julho, foi justificada pela administração como uma "adaptação à transição energética".

A fábrica deixará de produzir para o mercado europeu os modelos Canter a gasóleo até 3.500 quilogramas, focando-se em veículos de maior dimensão e na versão elétrica eCanter, da qual detém produção exclusiva para a Europa.

Segundo fonte oficial da Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corporation (MFTBC) à Lusa, o processo faz parte de uma reorganização internacional do grupo para responder às exigências ambientais do setor automóvel europeu.

A unidade industrial do Tramagal emprega cerca de 400 trabalhadores permanentes, segundo a empresa, número que o sindicato estima em cerca de 500, incluindo contratos temporários.

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