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Estudo Brookings/ FFMS

Europa está sozinha na defesa do comércio verde. E isso é uma oportunidade, defendem peritos americanos

29 mai, 2025 - 23:11 • José Pedro Frazão

Peritos sugerem mecanismos que mascaram programas mais agressivos que deram imagem de inflexibilidade europeia em matéria ambiental. Estabelecer mais parcerias, em especial com o Sul Global, pode contrabalançar a inevitabilidade da imposição de barreiras comerciais semelhantes a outras tecnologias limpas chinesas, escrevem os autores de um relatório do Brookings Institute em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

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Identificada como "a única grande economia mundial ainda empenhada, na teoria e na prática, num comércio aberto e justo", a Europa está em ótima posição para convencer outros parceiros de que o sistema mundial de comércio pode fazer mais para lidar com as alterações climáticas.

A convicção está inscrita num documento de reflexão do Brookings Institute, dos Estados Unidos, em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos. O documento agora divulgado, assinado pelos analistas Trevor Sutton e Sagatom Saha, analisa os riscos e as oportunidades da agenda da UE para o comércio verde.

Os peritos consideram que a retirada norte-americana da política climática e da liderança internacional suscitam o "momento certo" para que a Europa assuma "a liderança na criação de um instrumento comercial inovador que tire partido e incorpore o efeito Bruxelas", descrito como a capacidade europeia de afetar a regulamentação e as normas noutros mercados.

O documento considera que este passo permite descredibilizar a "recente reputação" da Europa como "bloco indeciso e economicamente frágil".

Torna-se cada vez mais importante que Bruxelas consiga alcançar este equilíbrio, tendo em conta que os Estados Unidos optaram por menosprezar o clima, tanto interna como externamente, e abandonaram as políticas comerciais que eram outrora estrategicamente aplicadas, ameaçando impor taxas generalizadas.

A importância das parcerias

Os autores consideram a Europa pode usar as chamadas «Parcerias para o Investimento e o Comércio Limpo», para fechar novos acordos comerciais que abordem a fuga de carbono e a deslocalização da produção para países com normas climáticas mais permissivas, a melhoria do acesso a minerais para a transição energética e a convergência em relação à taxação das emissões de carbono.

A União Europeia abriu já negociações com a África do Sul para a primeira destas novas parcerias que se focam em particular em energias limpas, tecnologia e indústrias estratégicas.

Os peritos do Brookings consideram que estes instrumentos podem mitigar algum mau acolhimento de países do chamado Sul Global em relação ao Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço, que pretende compensar as discrepâncias nos preços de carbono face ao Comércio Europeu de Licenças de Emissão.

A ideia de que a Europa impõe regras mais apertadas que o resto do mundo não joga a favor da imagem europeia no comércio internacional e daí a necessidade de criar mecanismos alternativos.

Essa é uma estratégia que procura "tranquilizar os outros países", pois, como escrevem os autores, "Bruxelas não se pode dar ao luxo de implementar uma política comercial que afaste simultaneamente os Estados Unidos, a China e o Sul Global".

Alertas para todos

Entra aqui a polémica das tarifas de Donald Trump e a escolha não é simples.

"Se concederem isenções aos Estados Unidos para evitar medidas de retaliação, é provável que ofendam os outros parceiros comerciais da Europa, que exigirão o mesmo tipo de concessões. Ao mesmo tempo, as taxas alfandegárias punitivas que Trump ameaçou impor aos produtos da UE podem prejudicar a economia europeia, que já de si enfrenta dificuldades", argumentam os peritos.

Contudo, em relação ao comércio verde, Bruxelas não tem uma história "inequivocamente positiva", na expressão dos autores.

Tornar o comércio mais ecológico pode de facto ser vantajoso para a UE, mas, em contrapartida, "é provável que a transição provoque uma deslocalização económica, em especial nas indústrias que, sujeitas a uma regulamentação mais rígida das emissões de carbono, à medida que se extinguem as licenças gratuitas, enfrentam custos mais elevados", assumem os autores.

O relatório sugere que a UE "terá de equilibrar estas políticas comerciais com a sua política geral em relação à China, que é simultaneamente um importante mercado de exportação para os fabricantes europeus e, cada vez mais, uma ameaça à segurança interna europeia e à competitividade da indústria europeia a nível interno e externo".

A Brookings e a FFMS admitem que Bruxelas "tenha de impor barreiras comerciais semelhantes a outras tecnologias limpas chinesas, de modo a desenvolver indústrias europeias competitivas nesses setores".

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

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