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Pacto Europeu para os Oceanos quer impulsionar economia azul e harmonizar legislação até 2027

05 jun, 2025 - 23:19 • José Pedro Frazão

É o documento que a Comissão Europeia leva à Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos que arranca na segunda-feira em Nice, no sul de França. O Pacto Europeu apresentado hoje em Bruxelas pretende reforçar a governação oceânica internacional, proteger a saúde dos oceanos, dar mais força à economia azul e apoiar comunidades costeiras. O documento inclui o reforço da segurança e defesas marítimas, mas é insuficiente na análise de seis importantes ONG ambientais europeias.

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Bruxelas vai propor uma Lei dos Oceanos até 2027, com base na revisão da Diretiva relativa ao Ordenamento do Espaço Marítimo, que promete uma “coordenação intersectorial melhorada a nível nacional e uma abordagem mais coordenada à gestão das bacias marítimas”.

A Comissão Europeia espera que esta Lei facilite a implementação do Pacto, que inclui ainda a criação de um Conselho dos Oceanos e um painel do Pacto para monitorizar a implementação e o cumprimento das metas do Pacto para os Oceanos. Será ainda criada uma Rede de Jovens Embaixadores dos Oceanos da UE e um programa de estágios no âmbito da coligação EU4Ocean, para que os jovens ganhem experiência prática em empregos na área da economia azul.

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São seis os pilares fundamentais do Pacto Europeu para os Oceanos, começando pelo restauro da saúde dos oceanos. Bruxelas quer incentivar os Estados-Membros na designação e gestão de Áreas Marinhas Protegidas e garantir a implementação da legislação ambiental existente, como a Diretiva Habitats e o Regulamento de Restauração da Natureza, para além da revisão da Diretiva-Quadro de Estratégia Marinha.

Uma segunda linha pretende impulsionar a competitividade sustentável da economia azul, que está na base de quase cinco milhões de empregos, contribuindo com mais de 250 mil milhões de euros de valor acrescentado bruto anual para a economia europeia. Bruxelas vai também propor uma Estratégia Marítima Industrial, uma Estratégia Portuária da UE e uma Estratégia para o Turismo Sustentável, prometendo apoio a projectos de energia eólica offshore e oceânica.

Bruxelas lembra que a Política Comum das Pescas deverá ser sujeita a revisão e promete apresentar uma “Visão para as pescas e a aquicultura para 2040”. Setenta por cento dos alimentos aquáticos atualmente consumidos na UE são importados, lembra a Comissão Europeia. Entre as medidas previstas incluem-se a descarbonização e modernização da frota de pesca e a prioridade dada ao apoio à pesca de pequena escala. O Pacto pretende aumentar a produção europeia de algas e lançar uma campanha europeia em 2027 “para promover os benefícios e o valor dos alimentos aquáticos sustentáveis produzidos na União Europeia”.

O Pacto decreta tolerância zero à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, prometendo a aplicação, até janeiro de 2026, do sistema digital de Certificação de Capturas da UE (CATCH), para impedir a entrada de produtos desta pesca no mercado da União Europeia.

Apoio às comunidades costeiras e reforço da segurança marítima

A União Europeia tem 70 mil quilómetros de costa e 40% da população vive a menos de 50 km do mar. Não espanta que o Pacto inclua o apoio às comunidades costeiras e insulares numa terceira linha estratégica. Vão ser desenvolvidas estratégias específicas para estas áreas e promete-se mais financiamento europeu e empréstimos do Banco Europeu de Investimento, “dando prioridade ao apoio à pesca de pequena escala e introduzindo uma Estratégia de Renovação Geracional Azul”. As ilhas são quase por definição regiões ultraperiféricas da União, representando 10% da Zona Económica Exclusiva da UE.

O quarto pilar do Pacto garante a promoção da investigação, do conhecimento e da inovação oceânica. Bruxelas promete uma Iniciativa de Observação Oceânica da UE para melhorar o conhecimento sobre o oceano, sustentada por uma Estratégia de Investigação e Inovação Oceânica. Serão reforçadas a Rede Europeia de Observação e Dados Marinhos (EMODnet) e os Serviços Marinhos Copernicus.

A dimensão digital liga-se ao quinto pilar, ligado ao reforço da segurança e da resiliência marítimas. “Os nossos mares albergam infraestruturas inestimáveis, indispensáveis ao bem-estar dos cidadãos europeus. Trabalharemos para reforçar a cooperação naval e da guarda costeira da UE, bem como a segurança das fronteiras marítimas”, refere a Comissão Europeia. Os cabos de comunicação submarinos transportam 99% do tráfego intercontinental de internet. O Pacto prevê ainda uma estratégia para remover engenhos explosivos não detonados nas águas da UE, começando pelo Mar Báltico e pelo Mar do Norte, e uma frota europeia pioneira de drones aerotransportados.

O último pilar do Pacto implica o reforço da diplomacia oceânica europeia. Bruxelas sublinha que a UE tem a maior área marítima coletiva do mundo e que as rotas marítimas transportam cerca de 74% do comércio externo da União. No curto prazo, quer a ratificação e implementação do Tratado sobre a Biodiversidade para Além da Jurisdição Nacional (BBNJ). O Pacto inclui ainda um Tratado Global sobre Plásticos, áreas marinhas protegidas no Antártico e um acordo global sobre subsídios à pesca.

Ambientalistas aplaudem com reservas

Num comunicado conjunto, seis ONG ambientais saudaram o anúncio da Lei Europeia para os Oceanos, mas exigiram a implementação imediata das obrigações existentes, incluindo metas e limites vinculativos.

A BirdLife Europe, a ClientEarth, a Oceana, a Seas At Risk, a Surfrider Foundation Europe e o Gabinete de Políticas Europeias da WWF afirmam que o Pacto não apresenta medidas concretas contra as actividades mais nocivas, como sobrepesca, poluição e destruição em áreas protegidas. As associações pedem o fim gradual da pesca de arrasto de fundo em Áreas Marinhas Protegidas e exigem um “roteiro de ação” claro com financiamento adequado para a sua execução.

Reclamam também compromissos financeiros públicos claros para a conservação marinha e para a pesca de pequena escala, bem como medidas eficazes contra a poluição por plásticos, nutrientes e contaminantes químicos.

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

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