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Pandemia

Covid-19. Índia ultrapassa um milhão de casos confirmados de infeção

17 jul, 2020 - 08:58 • Lusa

A Índia é o terceiro país do mundo com maior número de infetados, depois dos Estados Unidos e Brasil.

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A Índia registou 34.956 novas infeções de Covid-19, nas últimas 24 horas, ultrapassando um milhão de casos (1.003.832) desde o início da pandemia, informaram as autoridades.

O Ministério da Saúde também registou um novo máximo de mortes nas últimas 24 horas (687), elevando o total de óbitos no país para 25.602.

Três estados indianos - Maharashtra, Delhi e Tamil Nadu - foram responsáveis por mais de metade do total de casos, mas nas regiões rurais da Índia, a pandemia também está a acelerar.

"A aceleração de casos continua a ser o principal desafio para a Índia nos próximos dias", disse à agência Associated Press (AP) o diretor do Harvard Global Health Institute, Ashish Jha, frisando que uma grande percentagem de infeções continua a não ser detetada.

Vários estados indianos começaram há vários dias a reintroduzir o confinamento para tentar conter a propagação do novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Na cidade de Bangalore, considerada o centro da inovação tecnológica indiana, com filiais da Microsoft, Apple e Amazon, o governo ordenou uma quarentena de uma semana, que começou na terça-feira, após a multiplicação de novos casos.

Em Bihar, um estado com uma população de 128 milhões de habitantes e um sistema de saúde frágil, foi anunciada uma quarentena de duas semanas, na quinta-feira.

No Uttar Pradesh, o estado mais populoso, com mais de 200 milhões de pessoas, as autoridades instauraram o recolher obrigatório ao fim de semana, que deverá permanecer em vigor até ao final deste mês.

Goa, um dos estados indianos menos afetados, reintroduziu na quinta-feira o confinamento durante três dias, duas semanas depois de abrir ao turismo, a 02 de julho.

Quase uma dúzia de estados impôs, além disso, restrições em "zonas de contenção", em áreas consideradas de risco, que podem limitar-se a apenas uma rua.

A resposta da Índia ao vírus foi inicialmente lenta. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, viria a impôr o confinamento no país no dia 24 de março, durante três semanas.

A quarentena, depois prolongada por mais cinco semanas, teve um enorme custo económico, provocando uma crise humanitária sem precedentes, quando milhões de trabalhadores migrantes empobrecidos foram obrigados a regressar às zonas rurais de origem, enfrentando a fome e o desemprego, num êxodo muitas vezes a pé e sem qualquer apoio das autoridades.

A Índia é o terceiro país do mundo com maior número de infetados, depois dos Estados Unidos e Brasil.

A taxa de mortalidade na Índia permanece relativamente baixa, com 18 mortes por milhão de pessoas, em comparação com 417 nos Estados Unidos, o país com mais óbitos provocados pela Covid-19, de acordo com cálculos da agência de notícias France-Presse (AFP), a partir de dados oficiais.

A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) manifestou, esta semana, preocupação com a situação na Índia, alertando que o Sul da Ásia está a caminho de se tornar no próximo centro da pandemia.

"Enquanto a atenção do mundo está centrada na crise em curso nos Estados Unidos e na América do Sul, uma tragédia humana semelhante está a emergir rapidamente no Sul da Ásia", disse um responsável regional da IFRC John Fleming.

A pandemia da Covid-19 já provocou mais de 585 mil mortos e infetou mais de 13,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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