Brasil. Vice-Presidente acusa Lula de estar a negociar "um rombo" no orçamento
03 nov, 2022 - 23:02 • Lusa
Hamilton Mourão diz que a equipa do presidente eleito já está a negociar o orçamento de 2023 com o Congresso, o qual arriscará "o equilíbrio fiscal". PT reage, apelidando as declarações de "desonestas".
O vice-presidente brasileiro em exercício, Hamilton Mourão, acusou o Presidente brasileiro eleito, Lula da Silva, de já estar a negociar "com o Congresso um rombo" no orçamento para 2023.
O futuro Governo de Lula da Silva está a negociar "com o Congresso um rombo" de 200 mil milhões de reais (40 mil milhões de euros) "no orçamento de 2023, ou seja, zero compromisso com o equilíbrio fiscal", escreveu Hamilton Mourão, no Twitter, no dia em que se iniciou oficialmente o processo de transição.
"O resultado será aumento da dívida, inflação e desvalorização do Real. Onde estão os críticos?", insistiu.
A presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) já reagiu a estas declarações, apelidando-as de desonestas.
"Declaração de Mourão é no mínimo desonesta, nem bem acabamos de iniciar a transição e estamos negociando a pauta que interessa ao povo trabalhador. Onde ele estava durante a farra do orçamento secreto e o uso perdulário e ilegal da máquina pública nas eleições?", escreveu Gleisi Hoffmann.
Estas declarações acusatórias do vice-presidente brasileiro em exercício surgem no mesmo dia em que começou o processo de transição.
Nesta reunião ficou acertada uma proposta de emenda à Constituição que autoriza as despesas acima do teto de gastos, já no orçamento negociado pelo Governo de Jair Bolsonaro, e assim continuar com o apoio mensal de cerca de 125 euros à população mais carenciada e outros apoios aprovados pelo Governo em exercício.
Do lado de Lula da Silva, o vice-presidente eleito do Brasil, Geraldo Alckmin, a presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, e do ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante, estiveram reunidos com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, escolhido por Jair Bolsonaro como coordenador do processo de transição, e com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos.
Geraldo Alckmin, em conferência de imprensa, afirmou que "a conversa foi bastante proveitosa, muito objetiva".
"A transição já começou" no Brasil, anuncia "vice" de Lula
Geraldo Alckmin, vice-presidente eleito do Brasil,(...)
Geraldo Alckmin acrescentou ainda que o ministro da Secretaria Geral da Presidência "cumprimentou, deu os parabéns e desejou um ótimo trabalho e colocou-se à disposição nesse período de transição".
Dá-se assim o início da transição após o impasse causado por Jair Bolsonaro, que, apesar de não ter felicitado Lula da Silva pela vitória e de ter criticado a justiça eleitoral, disse que iria respeitar a Constituição.
Na quarta-feira, o Presidente brasileiro procurou acalmar os ânimos e apelou aos manifestantes que o apoiam para pararem de bloquear estradas pelo país, uma ação que se iniciou na madrugada de segunda-feira por considerarem que os resultados das eleições presidenciais tinham sido fraudulentos.
Estas declarações parecem ter dado frutos já que na segunda-feira, o número de estradas obstruídas era superior a 300 em 24 estados - devido à inação inicial da Polícia Rodoviária, que tem como diretor um 'bolsonarista' assumido - e agora estão agora presentes em apenas sete estados do país em pouco mais de 70 estradas.
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