Presidentes da França e da RDCongo esperam declaração de cessar fogo na terça-feira
04 mar, 2023 - 13:44 • Lusa
A União Europeia anunciou a realização de uma ponte aérea humanitária para Goma, com o apoio da França, para ajudar as populações no leste da República Democrática do Congo.
Os Presidentes da França e da República Democrática do Congo anunciaram hoje que esperam para terça-feira uma declaração "de todas as partes em conflito" de um novo cessar-fogo nos combates entre o exército congolês e o movimento rebelde M23.
Emmanuel Macron chegou hoje à República Democrática do Congo (RDCongo), no âmbito de uma viagem à África, sendo este país uma das principais paragens da sua deslocação.
O Presidente da RDCongo, Félix Tshisekedi, pediu ao seu homólogo europeu mais pressão para acelerar um processo de paz, que Macron prefere deixar por agora nas mãos das instituições regionais africanas.
O leste do país tem sido palco de combates durante meses entre o exército congolês e o grupo rebelde. Os combates deixaram mais de 600.000 pessoas deslocadas e geraram uma crise diplomática entre a RDCongo e o vizinho Ruanda, que negou acusações de alegadas ligações com os rebeldes.
O Presidente francês recusou hoje explicitamente ligar Kigali aos rebeldes, mas referiu-se a declarações anteriores do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, que apontavam para o Governo ruandês.
Macron assinalou o Governo ruandês para apelar às autoridades para "assumirem a sua responsabilidade" de forma a evitar que o leste do país "se torne um despojo de guerra".
"Fui muito claro na minha condenação do M23 e daqueles que o apoiam", disse Macron em declarações divulgadas nos meios de comunicação nacionais, antes de se referir ao processo de paz regional em que Presidente angolano, João Lourenço, está a atuar como mediador.
"A solução", prosseguiu, "não pode vir de França".
Por seu lado, o Presidente congolês advertiu que os combates estão a afetar seriamente o calendário eleitoral com vista à realização, em princípio em dezembro deste ano, de eleições gerais no país.
"O grande problema que enfrentamos no norte é que precisamos de segurança para podermos continuar o processo eleitoral. Caso contrário, corremos o risco de ter um atraso considerável que terá um impacto na data das eleições", afirmou.
Tshisekedi apelou também publicamente a Macron para ser mais ativo, em França, na resolução da crise no leste do país. "As mensagens do Presidente francês são satisfatórias, mas continuam a ser teóricas. Apelo à França para que exerça pressão a este respeito", acrescentou nos comentários, também captados pela Radio France Internationale (RFI).
UE anuncia ponte aérea humanitária e ajuda de 47 milhões de euros
A União Europeia (UE) anunciou a realização de uma ponte aérea humanitária para Goma, com o apoio da França, para ajudar as populações no leste da República Democrática do Congo (RDCongo). A ponte aérea será implementada “rapidamente” e “permitirá a entrega de ajuda humanitária sob a forma de produtos médicos e alimentares, bem como uma série de outros produtos de emergência, em colaboração com a UNICEF [Fundo das Nações Unidas para a Infância] e outros parceiros de ajuda humanitária”, segundo um comunicado da Comissão Europeia (CE).
A UE anunciou ainda a disponibilização de uma ajuda de 47 milhões de euros, através dos seus parceiros humanitários, para cobrir as necessidades imediatas das populações locais em termos de alimentação, cuidados de saúde e, em particular, instalações sanitárias.
“A UE está disposta a mobilizar todos os meios necessários para apoiar os trabalhadores humanitários, incluindo logísticos e aéreos, de forma a responder às necessidades da população da República Democrática do Congo”, afirmou o comissário responsável pela gestão de crises, Janez Lenarcic.
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