07 jan, 2025 - 10:22 • Redação com Reuters
O semanário satírico francês Charlie Hebdo assinala esta terça-feira dez anos desde o ataque à sua redação que matou 12 pessoas com uma edição especial da revista.
Na capa da edição de 32 páginas, um homem está sentado na ponta de uma arma com a palavra "Indestrutível!" escrita a letras vermelhas.
"Hoje, os valores do Charlie Hebdo - como humor, sátira, liberdade de expressão, ecologia, secularismo, feminismo, para citar alguns - nunca estiveram tão ameaçados", escreveu o editor da revista, Laurent "Riss" Sourisseau, que sobreviveu ao ataque, num editorial.
"A sátira tem uma virtude que nos ajudou a superar estes anos trágicos: o otimismo. Se queremos rir é porque queremos viver. O riso, a ironia, a caricatura são manifestações de otimismo. Aconteça o que acontecer, seja dramático ou feliz, a vontade de rir nunca desaparecerá", acrescentou.
A 7 de janeiro de 2015, dois irmãos invadiram, armados com espingardas AK-47, a redação da revista numa tentativa de vingar o profeta Maomé, depois da publicação de caricaturas no jornal. No islamismo, representações do Profeta são consideradas blasfémias.
Os dois franceses tinham também jurado lealdade à Al-Qaeda.
Entre as vítimas estavam oito membros da redação do jornal: os designers Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski, a psicanalista Elsa Cayat, o economista Bernard Maris e o revisor Mustapha Ourrad.
Nos dois dias seguintes, um terceiro agressor matou uma polícia e quatro reféns judeus num supermercado kosher (alimentos que obedecem à lei judaica) num subúrbio de Paris.
O atirador disse na altura que os ataques foram coordenados e realizados em nome do grupo militante Estado Islâmico.
Todos os três atiradores morreram em tiroteios com a polícia em confrontos separados.
Os ataques provocaram na altura uma onda de simpatia expressa através do lema e hashtag "Je suis Charlie", mas também marcaram o início de uma onda de violência islâmica em França.
Dez anos depois do ataque, o jornal publica esta terça-feira também um resultado de um estudo realizado pela Ifop- Instituto Francês de Opinião Pública, para a Fundação Jean-Jaurès e em parceria com o Charlie Hebdo.
De acordo com a sondagem, "76% dos entrevistados acreditam que a liberdade de expressão e a liberdade de fazer caricaturas são direitos fundamentais". Em 2012, o número era 58%.
Ainda a maioria dos franceses (56%) considera que se pode fazer humor sobre a morte ou a nacionalidade das pessoas (55%), o comportamento sexual das pessoas (51%, mais 14% desde 2006) ou a sua origem étnica.
No entanto, menos de um terço dos franceses considera que é bom rir do Holocausto (28%) e dos genocídios arménios ou tutsis (26%).
Muitos críticos do Charlie Hebdo acusam o jornal de cruzar a linha e desviar-se para a islamofobia ao publicar repetidamente "cartoons" do profeta Maomé. A revista nega e sublinha que satiriza todas as religiões, incluindo o cristianismo.