Carlos Gaspar: "Ausência de Kiev em Riade é um facto extremamente sério e grave”
18 fev, 2025 - 12:00 • Hugo Monteiro
Carlos Gaspar, investigador do IPRI, diz que o facto de a Ucrânia não estar representada na reunião de Riade entre os Estados Unidos e a Rússia se deve a “uma cedência” de Donald Trump a Vladimir Putin.
O investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) Carlos Gaspar considera que o facto de as conversações para o processo de paz na Ucrânia terem sido iniciadas, em Riade, na Arábia Saudita, através contactos diretos entre os Estados Unidos e a Rússia, “sem a Ucrânia estar presente” constitui "um facto extremamente sério e grave”.
Em entrevista à Renascença, o especialista vê na ausência dos representantes ucranianos, “uma cedência” por parte do Presidente dos Estados Unidos, que também terá cedido “ao acabar com o isolamento norte-americano em relação a Moscovo”.
Estas cedências também são, na leitura de Carlos Gaspar, "extremamente graves” e não podem deixar de remeter "para o modelo de Munique em que a Checoslováquia foi obrigada a capitular perante as exigências da Alemanha nazi”, numa referência ao Pacto de Munique, de 1938, em que a Grã-Bretanha e a França acederam ao pedido feito por Hitler para que uma região da Checoslováquia passasse para a Alemanha.
O investigador do IPRI diz, ainda, que seria “previsível” a presença da União Europeia nestas conversações na Arábia Saudita. No entanto, o facto de a Europa estar “dividida sobre a Ucrânia”, sem “convergência sobre questões decisivas para o futuro” daquele país, torna “difícil que Bruxelas pudesse estar representada com um mandato claro para intervir nas conversações”.
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