Estudo revela que IA pode desenvolver normas sociais semelhantes às humanas
14 mai, 2025 - 22:15 • Fábio Monteiro
Investigação internacional conclui que grupos de inteligência artificial conseguem formar normas sociais semelhantes às humanas, mesmo sem supervisão externa.
Um estudo conduzido por investigadores do City St George’s, Universidade de Londres, e da IT Universidade de Copenhaga revelou que agentes de inteligência artificial baseados em grandes modelos de linguagem (LLM), como o ChatGPT, conseguem desenvolver espontaneamente convenções sociais e linguísticas, de forma semelhante ao comportamento humano em grupo. A notícia é avançada pelo "Guardian".
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Segundo Ariel Flint Ashery, investigador doutoral e autor principal do estudo, este trabalho contraria a maioria das investigações na área da inteligência artificial, que tendem a tratar os modelos de linguagem como entidades isoladas.
“Queríamos saber: estes modelos conseguem coordenar-se através de convenções, os alicerces de uma sociedade? A resposta é sim”, disse.
Na experiência, grupos de 24 a 100 agentes de IA foram organizados em pares aleatórios para escolher um "nome" (uma letra ou sequência de caracteres) a partir de um conjunto de opções. Recebiam uma recompensa se escolhessem o mesmo nome e uma penalização caso as escolhas divergissem — sendo neste caso reveladas as opções de ambos.
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Apesar de os agentes não saberem que pertenciam a um grupo maior e de terem memórias limitadas às suas interações recentes, surgiu uma convenção partilhada para nomeação dentro da população. Esta dinâmica imitou a forma como os seres humanos constroem normas de comunicação culturalmente.
Andrea Baronchelli, professor de ciência da complexidade e co-autor do estudo, comparou o fenómeno à criação de novos termos na linguagem comum. “Os agentes não estão a copiar um líder. Cada interação é uma tentativa individual de chegar a um acordo sobre uma designação, sem uma visão global”, explicou.
“É como o termo ‘spam’. Ninguém o definiu formalmente, mas tornou-se universal através da repetição.”
O estudo identificou ainda o aparecimento de tendências colectivas e enviesamentos que não podiam ser atribuídos a agentes individuais.
Baronchelli defende que este trabalho abre novas possibilidades para a investigação em segurança da inteligência artificial.
“Estamos a entrar num mundo onde a IA não apenas comunica — ela negocia, alinha-se e, por vezes, discorda sobre comportamentos partilhados, tal como nós”, concluiu.
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