França. Relatório alerta para infiltração da Irmandade Muçulmana em instituições públicas
25 mai, 2025 - 22:38
O governo francês publicou um relatório de 76 páginas sobre a Irmandade Muçulmana, acusando a organização de promover o islamismo político e infiltrar instituições da República.
O Ministério do Interior francês apresentou a Macron, esta semana, um relatório sobre a Irmandade Muçulmana, organização acusada de fomentar o islamismo político na Europa e de procurar influenciar instituições públicas francesas.
O documento de 73 páginas, elaborado por altos funcionários públicos, descreve uma estratégia de “infiltração silenciosa” com objetivos de “separatismo” e “subversão”, conta o “Le Figaro”.
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O relatório, intitulado "Frères musulmans et islamisme politique en France", foi elaborado entre abril e maio deste ano e apresentado em Conselho de Defesa na quarta-feira. De acordo com o Ministério, o objetivo é “documentar a realidade do islamismo político” e sensibilizar a opinião pública para a sua presença em França.
“A matriz do islamismo promovida pela Irmandade Muçulmana alia a inculturação de uma tradição do Médio Oriente à dissimulação tática de um integrismo subversivo”, pode ler-se no texto. Entre as práticas destacadas está o uso das redes sociais para contestar os princípios da laicidade e acusar o Estado francês de islamofobia.
Segundo os autores, a Irmandade Muçulmana opera através de uma rede de associações, escolas e locais de culto, estruturando a vida comunitária muçulmana desde a infância até à morte.
A Federação dos Muçulmanos de França (FMF), identificada como braço da organização no país, controla 139 locais de culto e coordena cerca de 280 associações.
Em resposta, a FMF rejeitou “qualquer alegação de ligação a programas políticos estrangeiros” e considerou que o relatório pretende “estigmatizar o Islão e os muçulmanos”. Para a federação, é perigoso confundir a prática religiosa com radicalismo político.
O Presidente Emmanuel Macron pediu propostas concretas “à altura da gravidade dos factos” revelados no relatório. O documento será agora a base para futuras medidas legislativas e administrativas, com o Governo a prometer apresentar sugestões no início do próximo mês.
A publicação do relatório gerou reações políticas intensas. O ministro do Interior, Bruno Retailleau, alertou para a existência de um islamismo que “opera abaixo do radar”, visando “mudar a República desde dentro”.
Por outro lado, o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, acusou o Governo de promover “teorias delirantes” e de alimentar a islamofobia.
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