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​ONU critica "situação catastrófica" em Gaza e acusa Israel de ultrapassar direito à autodefesa

27 mai, 2025 - 11:31 • Lusa

No início deste mês, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos já tinha apelado a uma maior ação por parte da comunidade internacional para travar a atual ofensiva israelita, considerando-a "equivalente a uma limpeza étnica".

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O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos acusou esta terça-feira o exército israelita de agir fora do direito internacional de autodefesa e não respeitar os princípios fundamentais da humanidade na Faixa de Gaza.

"É claro que Israel pode e deve defender o seu povo", admitiu Volker Türk à rádio pública austríaca ORF, referindo-se ao ataque terrorista perpetrado a 7 de outubro de 2023 pelo grupo islamita palestiniano Hamas contra Israel, que provocou mais de 1.100 mortos e 251 sequestrados.

Israel respondeu com uma ofensiva militar massiva que ainda está em curso, matando cerca de 54 mil pessoas, a maioria das qausi civis palestinianos, e que se intensificou nas últimas semanas.

Segundo Türk, o que Israel está a fazer atualmente já não é justificável pelo direito à legítima defesa.

"Quando são realizadas ações militares, aplicam-se as leis internacionais da guerra, que também são vinculativas para Israel, mas o que temos visto nos últimos meses já não reflete o respeito pelos princípios fundamentais da humanidade", afirmou o diplomata austríaco.

"Não consigo encontrar mais palavras" para descrever a "situação catastrófica" enfrentada pela população civil de Gaza, sujeita a repetidas deslocações forçadas e sem ajuda humanitária há oito semanas, uma vez que o pouco que chegou nos últimos dias está muito aquém do volume necessário, sublinhou.

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Além disso, acrescentou, dado que quase 80% da Faixa de Gaza é agora território militar onde ninguém tem permissão para permanecer, "devemos falar de expulsão forçada, o que é profundamente preocupante".

O alto-comissário, jurista de formação, que deverá reunir-se hoje em Viena com membros do Governo e do parlamento austríacos, acredita que os "países amigos" de Israel, como a Áustria, devem pressionar o Governo liderado pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, para que cumpra o direito internacional.

No início deste mês, Türk já tinha apelado a uma maior ação por parte da comunidade internacional para travar a atual ofensiva israelita, considerando-a "equivalente a uma limpeza étnica".

"Por detrás da destruição sistemática de bairros inteiros e da negação de ajuda humanitária, parece haver uma tentativa de provocar uma mudança demográfica permanente em Gaza, desafiando o direito internacional", referiu Türk na altura.

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