Ouvir
  • Noticiário das 3h
  • 07 jun, 2026
A+ / A-

Estados Unidos

EUA querem "aliados civilizacionais" na Europa. Secretária da Segurança pede eleição de conservador na Polónia

28 mai, 2025 - 18:38 • João Pedro Quesado

O secretário de Estado dos EUA anunciou esta quarta-feira a restrição de vistos para estrangeiros "responsáveis pela censura de expressão protegida", apontando depois à regulação da União Europeia sobre as redes sociais e outras plataformas tecnológicas.

A+ / A-

Um texto, uma declaração de apoio a um candidato e uma nova política de restrição de vistos. Em cerca de 24 horas, a administração norte-americana de Donald Trump voltou a colocar a mira na Europa, tanto ao nível da política da União Europeia como a seguida pelos diferentes países, na procura de "aliados civilizacionais" que não apoiem "invasões sobre a soberania" dos Estados Unidos da América (EUA).

Na terça-feira, a secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, pediu a eleição do "líder certo" nas eleições presidenciais da Polónia. Noem falou na conferência conservadora CPAC (acrónimo do nome em inglês "Conservative Political Action Conference"), que está a realizar pela primeira vez uma edição do evento na Polónia.

As eleições presidenciais da Polónia têm este domingo, 1 de junho, a fase final. Depois de vencer na primeira volta com 31,1% dos votos, Rafał Trzaskowski — candidato do partido de Donald Tusk — avançou para a segunda volta, onde vai enfrentar Karol Nawrocki, o candidato do partido Lei e Justiça (PiS) — um partido de extrema-direita e eurocético que, depois de vencer as eleições legislativas de 2015 com maioria absoluta, colocou apoiantes no Tribunal Constitucional polaco e reduziu os poderes do Presidente e primeiro-ministro.

"Precisamos que elejam o líder certo", disse Kristi Noem que, citada pela NPR, afirmou que os conservadores "vão ser os líderes que vão virar a Europa de volta para os valores conservadores". Depois, a aliada de Trump descreveu Trzaskowski como "uma desgraça de líder" e apontou que Nawrocki "precisa de ser o próximo Presidente da Polónia" porque "vai trabalhar com Donald Trump", o que assegura a continuidade da "presença militar" dos EUA na Polónia.

Os Estados Unidos têm cerca de 10 mil militares colocados na Polónia, uma missão com o propósito de proteger o país da NATO contra uma agressão da Rússia.

EUA pedem "aliados civilizacionais"

No mesmo dia, o presidente da conferência conservadora fez um discurso de abertura em que alegou que os conservadores estão numa batalha contra os "globalistas", que descreveu como inimigos da fé, família e liberdade, também segundo a NPR. O termo "globalismo" e "globalistas" é cada vez mais usado por elementos da administração Trump, e faz parte de um texto publicado pelo Departamento de Estado dos EUA também na terça-feira, em que se pedem "aliados civilizacionais" na Europa.

"Na Europa, os governos têm utilizado as instituições políticas contra os seus próprios cidadãos e contra a nossa herança partilhada. Longe de fortalecer os princípios democráticos, a Europa desenvolveu-se num viveiro de censura digital, migração em massa, restrições sobre liberdade religiosa, e numerosos outros assaltos sobre a autogovernação democrática", alega o Departamento de Estado, criticando depois a Lei dos Serviços Digitais da União Europeia por ser "utilizada para silenciar vozes dissidentes através de moderação de conteúdo Orwelliana".

A Lei dos Serviços Digitais, em vigor desde 2024 e que funciona em conjunto com a Lei dos Mercados Digitais, obriga plataformas de grande dimensão — que alcancem mais de 10% dos 450 milhões de consumidores da Europa — a remover conteúdos ilegais e considerados nocivos sobre processos eleitorais, como desinformação, incitação à violência e descriminação.

Depois de reforçar a critica do secretário de Estado, Marco Rubio, à designação de organização extremista aplicada pela Alemanha ao partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha), o texto critica ainda a acusação de peculato a Marine Le Pen (que, para já, resultou na proibição de ser candidata presidencial em 2027), e outras "restrições" na Polónia e Roménia, enquanto "nações cristãs como a Hungria são injustamente rotuladas de autoritárias e abusadoras de direitos humanos".

Vistos restringidos para estrangeiros "responsáveis por censura de expressão protegida"

Apontando no mesmo sentido crítico da regulação europeia, Marco Rubio anunciou, esta quarta-feira, uma restrição na atribuição de vistos para "estrangeiros que censurem americanos".

"Anuncio uma nova política de restrição de vistos que se vai aplicar a estrangeiros responsáveis pela censura de expressão protegida nos Estados Unidos", anunciou de forma oficial o secretário de Estado dos EUA, declarando ser "inaceitável que entidades estrangeiras emitam ou ameacem mandados de detenção sobre cidadãos dos Estados Unidos ou residentes dos Estados Unidos por publicações em redes sociais em plataformas americanas enquanto fisicamente presentes em solo dos Estados Unidos".

O ataque à política europeia vem depois: "É, de forma semelhante, inaceitável que entidades estrangeiras exijam que as plataformas tecnológicas americanas adotem políticas globais de moderação de conteúdos ou se envolvam em atividade censória que vai além da sua autoridade e alcança os Estados Unidos", aponta Rubio, apesar de as leis europeias apenas se aplicarem à moderação de conteúdos apenas em solo europeu.

Numa publicação na rede social X, Marco Rubio apontou ainda à América Latina, declarando que "os dias de tratamento passivo para aqueles que trabalham para minar os direitos dos americanos acabaram".

Quanto à Europa, a decisão segue as críticas de conservadores contra a regulação das empresas tecnológicas, a grande maioria de origem norte-americana, nomeadamente por figuras como Mark Zuckerberg — o fundador e CEO da Meta, dona do Facebook, WhatsApp e Instagram.

Ouvir
  • Noticiário das 3h
  • 07 jun, 2026
Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque