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Guerra Israel-Hamas

Quatro em cada cinco judeus israelitas defendem a expulsão dos palestinianos de Gaza

29 mai, 2025 - 00:14 • Miguel Marques Ribeiro

Uma sondagem publicada pelo jornal Haaretz revela ainda que metade dos inquiridos defende a aplicação da lei bíblica sobre as cidades inimigas conquistadas pelo exército de Israel.

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Uma sondagem divulgada pelo jornal israelita Haaretz indica que quatro em cada cinco israelitas de origem judaica (82%) apoia o plano de Benjamin Netanyahu para a transferência forçada dos palestinianos da Faixa de Gaza para território estrangeiro.

Numa fase inicial, o presidente norte-americano Donald Trump defendeu o projeto e falou mesmo do interesse em criar uma ‘Riviera do Médio Oriente’.

Mais recentemente, na sequência da retoma das operações militares israelitas no enclave vizinho, o Alto Comissário para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Volker Türk, classificou de “equivalente a uma limpeza étnica” a pressão para que haja uma “mudança demográfica definitiva em Gaza”.

Incremento significativo em 20 anos

A sondagem coloca várias questões consideradas sensíveis para o povo israelita. Um dos tópicos abordados é o da relação entre judeus israelitas (que representam cerca de 80% da população) e árabes israelitas.

O inquérito revela que a maioria dos judeus (52%) defende a expulsão dos israelitas de origem árabe do país, que serão, segundo as estimativas, um número superior a 2 milhões de pessoas.

Estes números, declara o jornal, representam um incremento significativo comparando com resultados obtidos numa sondagem anterior, de 2003.

Nessa altura, 45% eram favoráveis à expulsão dos palestianianos da Faixa de Gaza e 31% à expulsão dos árabes nascidos em Israel.

"Agir como os israelitas fizeram em Jericó"

Segundo o Haaretz, um jornal de referência de Israel com sede em Telavive, a religião desempenha um papel importante no posicionamento da população relativamente a estas matérias.

Quase metade dos inquiridos (47%) está a favor da aplicação da lei bíblica quando forem “conquistadas cidades inimigas”, como as da Faixa de Gaza.

A frase “As Forças de Defesa de Israel deveriam agir como os israelitas fizeram em Jericó, sob o comando de Josué – matando todos os seus habitantes.", recebeu anuência de um em cada dois inquiridos.

Um número igualmente elevado (65%) de respondentes diz acreditar numa encarnação moderna de Amalek, o inimigo bíblico de Israel, que Deus ordenou que fosse destruído numa passagem do Deuterónimo (25:19).

Judeus laicos também apoiam

As percentagens favoráveis ao exercício da força são superiores entre os judeus ortodoxos e ultraortodoxos. Ainda assim, a maioria dos judeus laicos (70%) apoia a expulsão dos habitantes de Gaza, uma percentagem significativa (38%) a expulsão do país dos árabes israelitas e quase um terço (31%) a morte de todos os habitantes das cidades conquistadas.

A sondagem foi desenvolvida pela empresa Geocartography Knowledge Group, uma empresa sedeada em Isrel que é especializada em inquéritos. Participou uma amostra representativa de 1005 judeus israelitas.

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