Alerta na Suíça
Novas evacuações podem ser ordenadas em aldeia na Suíça depois de colapso de glaciar
30 mai, 2025 - 07:55 • João Cunha
Um dilúvio de milhões de metros cúbicos de gelo, lama e rocha de um glaciar desabou de uma montanha, engolindo a vila de Blatten, comuna no vale de Lötschental, no cantão de Valais.
Novas ordens de evacuação podem ocorrer nas próximas horas, no sul da Suíça, onde, na quarta-feira, um dilúvio de milhões de metros cúbicos de gelo, lama e rocha de um glaciar desabou de uma montanha, engolindo a vila de Blatten.
No inicio do mês, os cerca de 300 moradores da vila já tinham abandonado as suas casas. Blatten é uma comuna no vale de Lötschental, no cantão de Valais.
Os geólogos que monitorizam o glaciar Birch tinham alertado, no final do mês passado, para o movimento do glaciar, que tinha acelerado.
Há muito que manifestavam preocupação relativamente a um degelo observado nos últimos anos, atribuído, em grande parte, ao aquecimento global, que acelerou o recuo dos glaciares na Suíça, onde existe o maior número de glaciares entre todos os países europeus, e registou uma perda de 4% do seu volume total de glaciares em 2023. Foi segunda maior diminuição num único ano, depois de em 2022, ter registado uma redução de 6%.
Por precaução e face aos alertas recentes, as autoridades suíças decidiram retirar os residentes na vila de Blatten, bem como grande parte dos seus pertences e animais. E bem agiram: na última quarta-feira, parte significativa do glaciar, localizado logo acima da aldeia, desintegrou-se e veio encosta abaixo. A água, misturada com gelo, terra e detritos, cobriu grande parte da vila e interrompeu o leito do rio Lonza.
"Neste momento, cerca de 90% da aldeia está coberta ou destruída, pelo que se trata de uma grande catástrofe", disse Stephane Ganzer, o chefe da segurança na região sul do Valais, à televisão estatal RTS.
Há o risco de a situação piorar", disse Ganzer, aludindo ao rio bloqueado e lembrando que o exército tinha sido mobilizado na sequência de indicações anteriores de que o movimento do glaciar estava a acelerar.
Os primeiros cálculos indicam que terão percorrido a montanha o equivalente a 1200 piscinas olímpicas de água - e o risco é que toda essa água e detritos glaciais, que bloquearam o rio, possam provocar grandes inundações repentinas, saindo do lago natural entretanto formado.
Face a esses receios, as autoridades alertaram, esta noite, os moradores de outras duas localidades próximas, no Vale de Lonza, a prepararem-se para sair, em caso de emergência.
O governo suíço, através do Ministro do Ambiente, expressou o pesar pela catástrofe e prometeu medidas de apoio aos que perderam as casas.
- Noticiário das 3h
- 12 jul, 2026










