Guerra no Médio Oriente
"O que vemos em Gaza é um ataque deliberado a crianças", alerta embaixadora da Palestina
03 jun, 2025 - 18:57 • Ana Paula Santos , Diogo Camilo
"A História vai julgar todos os que viram uma criança em Gaza a morrer à fome e não fizeram nada", afirma a embaixadora da Missão Palestiniana em Lisboa. Rawan Sulaiman desafia a comunidade internacional a endurecer a condenação dos atos de Israel e diz que uma guerra é feita entre países com "igual poder e armas".
Não há dúvidas para a embaixadora da Missão Palestiniana em Lisboa. O que está a acontecer na Faixa de Gaza "não é guerra, é genocídio" - e com letras maiúsculas.
Em declarações à Renascença, Rawan Sulaiman afirma que uma guerra é feita entre países com "igual poder e armas" e que não é isso que está a acontecer no Médio Oriente.
"O que vemos em Gaza é um ataque deliberado a crianças, mulheres, idosos, médicos, jornalistas, pessoal das Nações Unidos, a realidade, civis", afirma a representante da Palestina em Portugal.
Em entrevista esta terça-feira à Renascença, o embaixador de Israel em Portugal indicou que falar de genocídio para descrever o que está a acontecer em Gaza "é uma vergonha", rejeitando as acusações de que o governo de Netanyahu esteja a levar a cabo uma limpeza étnica e criticando o mundo ocidental por "não apoiar 100% o Estado de Israel".
Numa resposta a estas declarações, a embaixadora do Estado Palestiniano em Lisboa desde setembro do ano passado diz não ter dúvidas de que o sistema de entrega de ajuda humanitária que existe em Gaza é "humilhante".
"Acredito que a História vai julgar todos os que viram uma criança, em Gaza, a morrer à fome e que não fizeram nada. As obrigações dos estados, à luz do Direito internacional, deviam ser implementadas. Em Gaza, há mais de 72 mil crianças a passarem fome", afirma.
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Rawan Sulaiman desafia ainda a comunidade internacional e os Estados-membros da União Europeia, entre eles Portugal, a reconhecerem a Palestina e a endurecerem a condenação dos atos de Israel.
"A comunidade internacional, em particular a Europa, deve tomar atitudes fortes. Parem de lhes dar as armas com que matam as nossas crianças. Imponham sanções pelos colonatos ilegais. Respeitem as obrigações dos Estados à luz do Direito Internacional. Reconheçam imediatamente o Estado da Palestina", afirmou, considerando "imperioso" terminar o acordo de associação em vigor.
A embaixadora diz ainda não ter dúvidas de que o Governo de Israel está a lutar pela sua própria sobrevivência: "Temos de parar com esta loucura, temos de parar estes crimes e é responsabilidade da comunidade internacional em colocar pressão extra sobre Israel e não permitirem que continuem a matar palestinianos impunemente", afirma.
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