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Guerra Israel-Hamas

Pelo menos 24 palestinianos terão sido mortos por disparos israelitas junto a um ponto de ajuda em Gaza

03 jun, 2025 - 07:45 • Reuters

Forças israelitas admitem que abriram fogo contra um grupo de pessoas que tinha saído das vias de acesso designadas, perto do centro de distribuição em Rafah. De acordo com a Cruz Vermelha, 184 vítimas, incluindo 19 mortos, deram entrada no hospital de campanha que a instituição gere na zona.

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Pelo menos 24 palestinianos foram mortos e dezenas ficaram feridos por disparos israelitas esta terça-feira, próximo de um local de distribuição de alimentos, no sul da Faixa de Gaza, de acordo com as autoridades de saúde locais.

O diretor-geral do hospital Nasser, em Khan Younis, relatou que, além de 24 mortos, os disparos da Defesa de Israel fizeram pelo menos 37 feridos. O médico adianta que a maioria das vítimas que chegaram ao hospital apresentava ferimentos de bala.

A Defesa de Israel afirmou que as suas forças abriram fogo contra um grupo de pessoas que tinha saído das vias de acesso designadas, perto do centro de distribuição em Rafah. Acrescentou que estava ainda a investigar o que aconteceu.

As mortes ocorreram horas depois de Israel ter afirmado que três dos seus soldados tinham sido mortos em combates no norte da Faixa de Gaza, numa altura em que as suas forças avançavam com a ofensiva contra os militantes do Hamas, que devastou grande parte do enclave.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente os acontecimentos no norte e no sul de Gaza.

Um porta-voz do Comité Internacional da Cruz Vermelha disse à Reuters que ao seu hospital de campanha em Rafah chegaram 184 vítimas, 19 das quais foram declaradas mortas à chegada. Outras oito morreram na sequência de ferimentos, pouco depois.

A Fundação Humanitária de Gaza, apoiada pelos Estados Unidos, lançou os seus primeiros locais de distribuição na semana passada, num esforço para aliviar a fome generalizada entre a população de Gaza, devastada pela guerra.

O plano de ajuda da Fundação, que passa ao lado dos grupos de ajuda tradicionais, foi alvo de duras críticas por parte das Nações Unidas e de instituições de caridade, que afirmam que não segue os princípios humanitários.

O grupo privado, que é apoiado por Israel, afirmou ter distribuído 21 camiões de alimentos na terça-feira e que a operação de ajuda foi “conduzida em segurança e sem incidentes no local”.

No entanto, tem havido relatos de repetidos assassinatos perto de Rafah, quando as multidões se reúnem para obter os bens de que necessitam.

No domingo as autoridades palestinianas e internacionais informaram que pelo menos 31 pessoas foram mortas e dezenas de outras ficaram feridas. Na segunda-feira, mais três palestinianos terão sido mortos por fogo israelita.

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla inglesa) negaram ter como alvo os civis que se reuniam para receber ajuda e consideraram que os relatos de mortes durante a distribuição de domingo eram “invenções” do Hamas.

Esta terça-feira, as IDF dizem ter identificado “uma série de suspeitos” que se deslocavam na sua direção, desviando-se das vias de acesso. “As forças dispararam tiros de evasão e, depois de eles não se terem afastado, foram disparados mais tiros perto dos suspeitos que avançavam na direção das forças”, afirmaram.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, disse esta segunda-feira que estava “chocado” com os relatos de palestinianos mortos e feridos enquanto procuravam ajuda e apelou a uma investigação independente.

No mesmo dia, as IDF emitiram novas ordens de evacuação para várias zonas de Khan Younis, no sul, avisando que o exército recorreria ao uso da força contra militantes a operar nessas áreas.

Foram dadas instruções aos residentes para seguirem para oeste, em direção à zona humanitária de Mawasi. Oficiais palestinianos e das Nações Unidas afirmam que não há áreas seguras no enclave e que a maioria dos seus 2,3 milhões de residentes vive na condição de deslocado interno.

Israel lançou a sua campanha militar em Gaza na sequência do ataque de 7 de outubro de 2023, em que homens armados liderados pelo Hamas mataram 1200 pessoas e fizeram 251 reféns.

Nos combates que se seguiram, mais de 54 mil palestinianos foram mortos, segundo as autoridades sanitárias locais.

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[Notícia atualizada às 12h50, com mais informações sobre os relatos do diretor-geral do hospital Nasser, do porta-voz do Comité Internacional da Cruz Vermelha e sobre as ordens de evacuação emitidas por Israel na segunda-feira]

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