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Espanha

Feijóo pede eleições antecipadas a Sánchez em manifestação com dezenas de milhares

08 jun, 2025 - 12:28 • João Pedro Quesado com Lusa

Gravações de uma ex-militante do PSOE, que pede informações comprometedoras sobre um procurador e dirigentes da unidade de investigação policial que investiga casos de alegada corrupção de pessoas próximas de Sánchez e do executivo, deram início a uma nova onda de contestação sobre o governo de Espanha.

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"Renda-se à democracia". Foi assim que Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP) espanhol, pediu a Pedro Sánchez, o socialista e primeiro-ministro, para marcar imediatamente eleições antecipadas. A oposição juntou dezenas de milhares de pessoas num protesto este domingo, em Madrid, marcado após a divulgação de vídeos que uma ex-militante do Partido Socialista (PSOE) pede informações comprometedoras sobre procuradores que investigam alegações de corrupção de pessoas próximas de Sánchez e do governo.

"Senhor Sánchez, deixe de esconder-se. Deixe de mentir. Deixe de fugir. Espanha já sabe quem você é, e os seus... Espanha já sabe demasiado do que fizeram, e vamos continuar a saber ainda mais. Por isso é que lhe digo: Renda-se à democracia, convoque eleições... Queremo-las agora", pediu Feijóo na Praça de Espanha, numa manifestação sobre o lema "Máfia ou democracia" e sem símbolos partidários visíveis — apesar do domínio de figuras do PP.

"Não quero uma frente de raiva, porque Espanha não precisa de vingança. Precisa de concórdia. Espanha necessita de uma revolução. Vamos liderá-la nas ruas e nas urnas. Contamos, para isso, com cada cidadão deste país", sublinhou o líder da oposição espanhola, apontando para os manifestantes para dizer que "estamos aqui para sejam vocês a falar alto e claro perante o presidente [do Governo espanhol] que se esconde".

Esta é a sexta manifestação marcada pelo PP no atual mandato de Pedro Sánchez, o terceiro como presidente do Governo espanhol. Na primeira, em setembro de 2023, foram contabilizadas 40 mil pessoas; na segunda, em novembro do mesmo ano, 80 mil pessoas participaram num protesto convocado pelo PP e pelo Vox; em dezembro de 2023, oito mil pessoas juntaram-se; em janeiro de 2024, 45 mil pessoas estiveram na manifestação, e em maio de 2024, 20 mil pessoas participaram.

Enquanto o PP estima que cem mil pessoas estão a participar na manifestação deste domingo, as autoridades apontam para números entre os 45 mil e os 50 mil manifestantes. As manifestações anteriores foram convocadas devido à amnistia para independentistas catalães que Sánchez negociou com partidos da Catalunha para conseguir ser reconduzido primeiro-ministro.

Caso de Leire Díez faz PP pressionar para começar novo ciclo político

A convocatória deste protesto, no final de maio, coincidiu com a divulgação, nos meios de comunicação social, de áudios e vídeos em que uma ex-militante do Partido Socialista (PSOE), Leire Díez, fala com empresários para pedir informações comprometedoras sobre um procurador do Ministério Público e dirigentes da unidade de investigação policial da Guarda Civil (UCO) que têm em mãos casos de alegada corrupção de pessoas próximas de Sánchez e do executivo.

Nas gravações, Leire Díez sugere que as informações que procurava são do interesse da direção do PSOE e promete ajudar os empresários e ex-membros da Guarda Civil com os processos que enfrentam na justiça, através de contactos no Ministério Público e outras instâncias.

O PSOE abriu uma investigação interna a Leire Diez, e tanto o partido como o Governo negam que atue a pedido ou em coordenação com a direção socialista ou com o executivo.

A própria, que tem trabalho na área da comunicação empresarial e institucional, garantiu já por diversas vezes que agiu por iniciativa própria, por estar a fazer uma "investigação jornalística pura e dura" e querer escrever um livro, e negou qualquer relação com a direção do PSOE neste momento.

Feijóo disse que os espanhóis deveriam "ter a palavra", mas "como não o podem fazer nas urnas, porque Sánchez continua a negar-se a convocar eleições gerais, poderão fazê-lo na rua".

Sánchez, primeiro-ministro desde 2018, voltou a ser eleito para o cargo pelo parlamento espanhol em novembro de 2023, por uma 'geringonça' de oito partidos. Desde então, pessoas próximas do primeiro-ministro, como a mulher ou o irmão, e antigos membros do Governo e da direção do PSOE foram envolvidos em processos judiciais por suspeitas de corrupção.

A polémica mais recente, da ex-militante do PSOE Leire Díez, tem desencadeado reações e apelos a Sánchez que vão para além da oposição de direita. Dirigentes do PSOE e do Somar, o partido de esquerda que está na coligação de Governo com os socialistas, consideraram grave o caso Leire Díez e pediram "contundência" ao partido na resposta.

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