Conferência ONU dos Oceanos de Nice
Lula contra guerras no Oceano. "Não pode ocorrer com o mar o que aconteceu no comércio internacional"
09 jun, 2025 - 16:38 • José Pedro Frazão
Presidente do Brasil sublinha que a questão climática 2não é invenção de cientistas nem é brincadeira de gente da ONU". Na Conferência dos Oceanos, Lula da Silva denunciou vários obstáculos que impedem o multilateralismo em matéria de oceanos.
O Presidente do Brasil, Lula da Silva, denunciou na Conferência das Nações Unidas de Nice que "paira sobre o oceano a ameaça do unilateralismo". O chefe de Estado brasileiro será o anfitrião da próxima Conferência do Clima (COP30 ) em Belém do Pará, na Amazónia, agendada para novembro, prometendo incluir a temática dos oceanos na agenda dessa cimeira aguardada este ano com expectativa.
"Não podemos permitir que ocorra com o mar o que aconteceu no comércio internacional, cujas regras foram erodidas a ponto de deixar a Organização Mundial do Comércio inoperante. Evitar que os oceanos se tornem palco de disputas geopolíticas é uma tarefa urgente para a construção da paz. Canais, golfos e estreitos devem aproximar-nos e não ser motivo de discórdia", defendeu a partir do púlpito na sessão plenária de abertura da Conferência de Nice.
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Lula pede "apoio à ação firme" da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, liderada por uma brasileira, para travar "uma corrida predatória por minérios". No seu discurso, denunciou "interesses escusos" que impedem a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul e garantiu que o Brasil vai ratificar ainda este ano o Tratado do Alto Mar.
Sete compromissos brasileiros
Lula trazia uma mão cheia de anúncios para Nice. Prometeu ampliar a cobertura das áreas marinhas protegidas brasileiras de 26% para 30%, desenvolver programas de preservação dos manguezais e recifes de corais e formular uma estratégia nacional contra a poluição por plásticos no oceano. Lula anuncia um "esforço inédito de planeamento espacial marinho", estímulos à pesca sustentável e combate à pesca ilícita.
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Brasília vai também implementar um Sistema Integrado de Monitorização para recolha de dados e manter investimento científico na Antártida. No plano educativo, Lula sublinha que o Brasil foi o primeiro país a incluir a cultura oceânica nos programas escolares.
"Em 2025, teremos o maior número de Escolas Azuis no mundo, reunindo 515 estabelecimentos de ensino, 160 mil estudantes e 2.600 professores", prometeu o Presidente brasileiro.
Oceanos e clima
Lula colocou "Nice no caminho até Belém", lembrando que o espaço marítimo brasileiro ocupa 5 milhões e 700 mil quilómetros quadrados, uma área comparável à da Amazónia.
O Brasil vai lançar um “Balanço Ético Global”, "para mobilizar pensadores, artistas, intelectuais e religiosos, juventudes, mulheres, povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes, rumo à COP30", anunciou Lula da Silva.
Olhando para a Conferência do Clima, Lula da Silva foi duro em relação aos líderes que não acreditam nas alterações climáticas. "[É preciso] convencer os chefes de Estado desse mundo de que a questão climática não é invenção de cientistas nem é brincadeira de gente da ONU. A questão climática é uma necessidade vital de preservação do nosso ambiente e que a gente vai ter de tomar uma decisão".
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