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Aviação

Queda de avião da Air India foi o acidente “mais raro dos raros”

18 jun, 2025 - 13:00 • João Pedro Quesado

As regras internacionais obrigam à divulgação de um relatório preliminar em 30 dias. As duas caixas negras do avião já foram recuperadas.

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A queda do voo 171 da Air India em Ahmedabad, na passada quinta-feira, foi o acidente “mais raro dos raros”, segundo a avaliação de um ex-investigador de desastres aéreos na Índia.

Em declarações à BBC, o capitão Kishore Chinta, que fez parte do Gabinete de Investigação de Acidentes Aéreos da Índia, afirmou não ter conhecimento que “nada como isto tenha alguma vez acontecido”.

O avião Boeing 787 Dreamliner — um modelo livre de acidentes até agora —, que estava a realizar o voo 171 da Air India entre Ahmedabad e o aeroporto de Gatwick, em Londres, despenhou-se a 12 de junho com 242 pessoas a bordo, numa altura em que transportava quase 100 toneladas de combustível. Apenas um passageiro sobreviveu, e 38 pessoas morreram no local da queda.

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Com as caixas negras do avião já encontradas — tanto o gravador de voz do cockpit e o gravador de dados do voo —, os investigadores devem agora analisar todos os dados dos sistemas do Boeing para perceber o que aconteceu durante a descolagem e levou à queda.

“Se o gravador de dados do voo mostra que os motores estavam a produzir toda a potência, então a atenção vai-se virar para os ‘flaps’ e ‘slats’ [dispositivos nas asas que produzem sustentação]”, explica Peter Goelz, ex-diretor da NTSB (gabinete de segurança de transportes nos EUA). E acrescenta: “se elas estiverem estendidas como necessário, então torna-se uma investigação muito difícil”.

A análise dos destroços também é importante: “Consegue-se perceber pelos danos se os motores estavam a gerar potência no impacto — as turbinas fraturam-se de forma diferente quando giram a alta velocidade”.

Segundo Kishore Chinta, os investigadores podem optar por fazer uma reconstrução dos destroços, dependendo do que for indicado pelos dados das caixas negras. Mas vão também examinar filtros de combustível, cabos, válvulas e resíduos para apurar se houve contaminação, além de recolher o histórico de manutenção da Air India e da Boeing.

As regras determinadas pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO, no acrónimo em inglês), uma agência das Nações Unidas, obrigam à divulgação de um relatório preliminar em 30 dias, com o relatório completo a ter um prazo ideal de 12 meses.

Os vídeos do acidente publicados nas redes sociais mostram o avião a descolar e, depois de não conseguir ganhar altitude, a cair no chão. Instantes depois, é envolto numa bola de fogo, resultante da grande quantidade de combustível que transportava.

As autoridades da aviação civil ordenaram uma inspeção dos Boeing 787 ao serviço da Air India, nomeadamente aos motores, flaps (nas asas) e trens de aterragem, "como medida de precaução". Até esta terça-feira, os 24 aviões já verificados não tinham “nenhuma grande preocupação de segurança”.

O modelo Boeing 787 Dreamliner entrou ao serviço em outubro de 2011, e mais de 1.100 unidades foram produzidas e voam desde então.

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