EUA atacam Irão
Irão: Trump traiu a diplomacia, os seus eleitores e o povo iraniano
22 jun, 2025 - 11:44 • Ana Kotowicz
Acusando os Estados Unidos de agirem em conluio com o governo israelita, que classificou como “regime genocida”, Araghchi afirmou que as ações americanas “revelam a verdadeira hostilidade contra o povo pacífico do Irão”.
"Foram os EUA que traíram a diplomacia", enganaram "o povo iraniano" e "os cidadãos americanos". As várias acusações foram todas feitas pelo chefe da diplomacia iraniana, durante uma visita à Turquia. Em Istambul, durante uma intervenção na cimeira da Organização da Cooperação Islâmica (OCI), Abbas Araghchi anunciou que viajará ainda este domingo para Moscovo. Na segunda-feira, terá um encontro com Vladimir Putin, o Presidente russo, próximo do Irão. O Kremlin já fez saber que não tem agendado qualquer encontro com os Estados Unidos.
Durante a madrugada, os EUA atacaram três instalações nucleares iranianas. Desde cedo ouviram-se vários apelos da comunidade internacional pedindo a contenção de todos os envolvidos e o regresso à mesa das negociações. Para o chefe da diplomacia iraniana, “não faz sentido pedir ao Irão que volte à mesa das negociações neste momento”. O seu país, disse, continua a defender a via diplomática, mas a atual conjuntura já não permite seguir essa via. “O Irão foi atacado. Estamos perante uma agressão e temos o direito legítimo de nos defender”, defendeu em Istambul.
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Esta ideia já tinha sido defendida pelo próprio nas redes sociais, enquanto a Guarda da Revolução do Irão anunciou que irá responder aos Estados Unidos e que, por outro lado, pretende manter os ataques a Israel. As bases militares norte-americanas no Médio Oriente são um “ponto de vulnerabilidade”, não uma força, defenderam.
Em declarações divulgadas pela agência Reuters, os Guardas da Revolução acusaram Washington de se colocar diretamente “na linha da frente da agressão” ao atacar aquilo que o Irão descreve como “instalações nucleares pacíficas”. E acrescentam: “No que diz respeito às consequências destes bombardeamentos, os Estados Unidos não poderão escapar”, já que o Irão “não se deixará intimidar” por Israel ou pelos EUA, “gangues criminosos que governam a Casa Branca e Telavive”.
"Estávamos no meio de negociações quando os israelitas explodiram tudo"
Acusando os Estados Unidos de agirem em conluio com o governo israelita, que classificou como “regime genocida”, Araghchi afirmou que as ações norte-americanas “revelam a verdadeira hostilidade contra o povo pacífico do Irão”.
Questionado sobre quais seriam as condições para o Irão voltar às negociações, o ministro dos Negócios Estrangeiros considerou que esse pedido é "irrelevante".
"Estávamos no meio de uma negociação diplomática. Estávamos no meio de negociações com os Estados Unidos quando os israelitas explodiram tudo", disse Araghchi. “E, mais uma vez, estávamos no meio de conversas e negociações com os europeus que aconteceram há apenas dois dias, em Genebra, quando, desta vez, os americanos decidiram explodir tudo. Portanto, não foi o Irão, mas os EUA que traíram a diplomacia. Traíram as negociações."
Araghchi considerou que, com os ataques da madrugada, os EUA "provaram que não são homens de diplomacia e que só entendem a linguagem da ameaça e da força. E isso é lamentável.”
Além disso, o MNE iraniano deixou críticas pessoais ao Presidente norte-americano, Donald Trump, acusando-o de ter traído os próprios eleitores. “Foi eleito com a promessa de acabar com as guerras eternas no Médio Oriente, mas acabou por iniciar uma nova guerra. Enganou o povo iraniano e traiu também os cidadãos americanos que acreditaram nessa promessa.”
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Encontro com Putin na segunda-feira
Abbas Araghchi anunciou ainda que viajará este domingo para Moscovo, onde deverá reunir-se com o Presidente russo, Vladimir Putin, na segunda-feira.
Depois de acusar Washington de desrespeitar o direito internacional e de ter ultrapassado uma “linha vermelha muito grave”, reafirmou que o Irão “reserva todas as opções para defender a sua segurança, os seus interesses e o seu povo” e que as forças armadas iranianas estão em estado de alerta máximo.
Além disso, vai pedir uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e uma condenação dos ataques norte-americanos.
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