Guerra no Médio Oriente
Fim do programa nuclear do Irão? "Pode não ter sido", mas capacidade ficou comprometida
23 jun, 2025 - 10:42 • André Rodrigues
Presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear admite que a ação norte-americana travou o ciclo de enriquecimento de urânio e eliminou os cérebros do plano nuclear iraniano. "Mas é difícil dizer se será a capitulação", alerta Bruno Soares Gonçalves. "Veremos o que acontece nos próximos dias".
O presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear considera prematuro afirmar que o ataque norte-americano ao Irão representa o fim do programa nuclear do país.
“É difícil dizer se será a capitulação”, sublinha Bruno Soares Gonçalves, em declarações à Renascença.
Este especialista lembra que, apesar de não haver evidências de que tenha sido dada uma ordem para a produção de armamento nuclear, “não há necessidade de enriquecer urânio a 90% para qualquer outra aplicação civil”.
Em março, um relatório da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) indicava que o Irão tinha mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido sob a forma metálica e que, com isso, poderia fabricar mais de uma dezena de bombas.
“Ao atacar as três infraestruturas, foi atacado todo o ciclo de enriquecimento e, para além do mais, ao serem mortos por Israel os físicos nucleares que trabalhavam no programa, isso também limitou em muito a capacidade de retomar o programa porque é uma atividade que exige conhecimento altamente especializado”, sublinha.
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“Mesmo que não houvesse, neste momento, a intenção de construir uma bomba nuclear, a intenção de ter a capacidade para o fazer estava lá”, lembra Bruno Soares Gonçalves, que admite ser “muito provável que toda essa capacidade esteja lesada”.
Trump reclama "destruição total" do plano nuclear iraniano
Nas últimas horas, Donald Trump reclamou a “destruição total” das instalações nucleares iranianas.
Através da rede Truth Social, o Presidente norte-americano afirma que o ataque do fim de semana causou “danos monumentais” ao programa nuclear de Teerão.
Noutro plano, o líder norte-americano não esclarece se os Estados Unidos têm a intenção de provocar a queda do regime iraniano.
Apesar de sublinhar que não é politicamente correto usar esse termo, Trump questiona por que razão não haveria uma mudança de regime se a atual liderança de Teerão não consegue tornar o Irão grande novamente.
Antes disso, já o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, tinha dito que o ataque não é uma guerra contra o Irão, mas sim contra o programa nuclear iraniano.
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