CIMEIRA DA NATO
Rutte diz que "não há alternativa" aos 5% do PIB, Trump garante que nuclear do Irão está destruído "por uma década"
25 jun, 2025 - 09:27 • Olímpia Mairos , Alexandre Abrantes Neves
O secretário-geral da NATO considera tratar-se de uma decisão difícil - aumentar o investimento em Defesa para os 5% do PIB -, mas defende que “os políticos têm de fazer escolhas na escassez”. Já o Presidente dos Estados Unidos admitiu avançar de novo contra Teerão se recuperarem a infraestrutura nuclear, mas diz "não estar preocupado", pelo menos, "ao longo de uma década".
O secretário-geral da NATO insiste que a única forma de responder à ameaça russa passa por aumentar o investimento em Defesa para os 5% do PIB.
À entrada para a reunião com os chefes de Estado e do Governo, Mark Rutte disse não acreditar que mais países se juntem a Espanha, que já recusou cumprir a meta pedida pela NATO.
“Não estou preocupado com isso. Claro que estas são decisões difíceis, vamos ser honestos: políticos têm de fazer escolhas e isto não é fácil”, declarou, acrescentando que “sete ou oito países não estavam nos 2% no início do ano e agora vão chegar lá”.
“Muitos deles diziam que só conseguiam algures a partir de 2030, e agora comprometem-se com este ano”, destaca.
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O secretário-geral da NATO insiste que “não há alternativa” a investir 5% do Produto Interno Bruto (PIB) na área da Defesa e considera que os políticos “têm de fazer escolhas na escassez”.
“Os países têm de encontrar o dinheiro, são decisões políticas, eu reconheço isso, mas ao mesmo tempo - perante a ameaça russa e a situação a segurança internacional, não há alternativa. Temos de fazer isto”, disse.
Já sobre a mensagem que enviou a Trump - e onde Rutte disse que agora os europeus “vão começar a gastar à grande” - o líder da NATO voltou a desvalorizar e disse que só constatou factos.
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“É totalmente verdade. Acham que os sete ou oito países que não cumpriam os 2% no início do ano iriam cumprir os 2% do PIB se Trump não tivesse sido eleito? É verdade que há uma ameaça russa e da China etc., mas acham que seria possível chegar a este compromisso se Trump não tivesse sido eleito Presidente?”, questiona.
“Acho que o que lhe disse na mensagem - e tudo bem que ele a tenha divulgado - é só constatar factos”, completa.
Os chefes de Estado e de Governo dos 32 países que compõem a NATO encontram-se esta quarta-feira em Haia para firmar um acordo de investimento para a próxima década, em princípio, que deverá fixar a meta de dedicar 5% do PIB à Defesa (3,5% de investimento direto e 1,5% em projetos civis que também podem ter uma utilização militar).
À entrada para a cimeira, os líderes dos 32 aliados mostraram consenso com a meta de investimento em defesa nos 5% do PIB até 2035 – caso da Alemanha que, pela voz do chanceler Frederick Merz, salientou que as decisões da NATO são um “ato de convicção” e “não para agradar alguém em específico”.
No longo desfile em Haia, que durou mais de duas horas, a voz dissonante com maior peso veio da vizinha Bélgica, com o primeiro-ministro De Wever a admitir conseguir cumprir os alvos de capacidade militar com menos de 5% do PIB, embora diga “acreditar que as contas da NATO são provavelmente verdade”.
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Também à chegada à cimeira da NATO, Donald Trump voltou a falar sobre os ataques iranianos. Depois de esta quarta-feira a imprensa norte-americana noticiar que a ofensiva teria atrasado os planos nucleares iranianos apenas alguns meses, o presidente dos Estados Unidos vem agora contrariar essa tese, referindo que o impacto foi de uma década.
“Basicamente, décadas. Não acredito que eles o façam de novo, eles passaram pelo inferno, já tiveram que chegue. A última coisa que eles querem fazer é enriquecer. Aquele ataque acabou com a guerra”, afirmou, para depois garantir resposta pronta em caso de recuperação do Irão. “Claro que atacamos. Mas não tenho de me preocupar com isso. Aquilo foi-se por anos, é muito difícil de reconstruir, colapsou tudo”, frisou.
Também quando questionado sobre a crise na Ucrânia, o presidente norte-americano preferiu desviar as palavras para a postura do presidente russo no conflito com o Irão. “Ele voluntariou-se para ajudar, eu respondi que não preciso de ajuda com o Irão, mas ele foi muito simpático”, revelou.
Já sobre o encontro que manterá com Volodymyr Zelensky à margem da agenda oficial da cimeira, o presidente norte-americano foi parco em palavras.
“Vou encontrar-me com Zelensky, vamos discutir as dificuldades que ele tem, algumas dificuldades na Ucrânia. Ele é um tipo porreiro. Tem havido progresso e vamos falar sobre isso”, adiantou.
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