Cimeira da NATO
Sentiu "respeito" dos aliados, mas Espanha vai sofrer mais tarifas. Trump sai de Haia um "homem diferente"
25 jun, 2025 - 16:47 • Alexandre Abrantes Neves, enviado especial a Haia
Numa extensa conferência de imprensa, Trump aplaudiu o esforço dos aliados para chegarem aos 5% do PIB em investimento em defesa, mas lamentou a postura "terrível de Espanha". Sobre o Médio Oriente, foi parco em palavras - encontra-se com o Irão para a semana, mas não deve haver acordo escrito.
Veio até à cimeira porque "é algo que é suposto fazer", mas Donald Trump sai de Haia uma pessoa "diferente". Porquê? Viu "amor às nações" e sentiu "respeito" na reunião com os chefes de Estado e de governo da NATO.
"Eu vi o amor e a paixão que mostraram pelos seus países. É inacreditável. Nunca vi nada assim. Eles querem proteger os seus países e precisam dos Estados Unidos. Foi comovente. Eles amam os seus países, tiveram tanto respeito por mim, porque sou o presidente dos Estados Unidos", afirmou.
No entendimento de Donald Trump, o compromisso dos aliados europeus em "assumirem mais responsabilidade pela sua segurança" será crucial para ajudar a "prevenir futuros desastres, como a situação horrível, com a Rússia e a Ucrânia".
Precisamente sobre o conflito entre Moscovo e Kiev, Donald Trump disse que o encontro que manteve com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, à margem da agenda oficial "não podia ter corrido melhor". "Quis saber como ele estava. Ele tem passado um mau bocado, o combate é duro", frisou, para depois não esclarecer se vai ou não enviar mísseis Patriot para a Ucrânia e mais dinheiro para ajudar Kiev. "Vamos ver".
Apesar de, segundo o presidente norte-americano, a reunião não ter servido para discutir um cessar-fogo, Trump admite que a Rússia pode ter "planos para ir para lá da Ucrânia" e adiantou que vai falar com Putin em breve, lamentando que o chefe de Estado russo se encontre "desorientado".
Cimeira da NATO
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Irão e EUA à mesa na próxima semana
Sobre o Médio Oriente, o presidente norte-americano apresentou "conclusões que acabam de chegar" da agência israelita que se dedica a questões nucleares para voltar a contrariar a tese da imprensa dos Estados Unidos e sublinhar que os ataques norte-americanos "destruíram a base de Fordo na totalidade" e não tiveram um impacto apenas de "semanas" no plano nuclear, como noticiado na manhã desta quarta-feira.
Para a próxima semana, Donald Trump pretende reunir-se com o Irão, mas avançou já que será improvável que assinem um acordo. "Eles estiveram em guerra, foi difícil, agora é deixá-los na vida deles", justificou.
Quanto aos temas internos da NATO, a conferência de imprensa dedicou-se especialmente à recusa espanhola em subir o investimento em defesa para os 5% do PIB — o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, já disse esta quarta-feira que 2,1% será suficiente para responder aos objetivos de capacidade militar da NATO.
Para Trump, essa postura é "injusta" e "terrível" e, por isso, Madrid vai sentir um apertar do cinto por parte de Washington.
"Vamos negociar com Espanha um acordo de comércio e vamos fazê-los pagar o dobro. Eu gosto de Espanha, conheço imensas pessoas, é um sitio ótimo e tem ótimas pessoas, mas Espanha, entre todos os países, é o único que se recusa a pagar. Mas vão ter de pagar nas trocas comerciais. Não vou deixar isso acontecer", reforçou.
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