Ouvir
  • Noticiário das 6h
  • 10 mai, 2026
A+ / A-

Dalai Lama completa 90 anos e prepara sucessão espiritual

27 jun, 2025 - 09:08 • Lusa

Líder tibetano já indicou que pretende aproveitar a ocasião para abordar o futuro da sua posição. Sugeriu que poderá não haver sucessor, mas a maioria dos tibetanos defende a continuidade.

A+ / A-

As palavras do Dalai Lama são aguardadas com expectativa pelos tibetanos, à medida que o líder espiritual comemora 90 anos no próximo mês, data que deverá aproveitar para lançar pistas sobre a delicada questão da sucessão.

As celebrações arrancaram na segunda-feira em McLeod Ganj, nos contrafortes dos Himalaias do lado da Índia, onde o líder tibetano vive exilado desde 1959, após fugir da repressão chinesa no Tibete, escreveu esta sexta-feira a agência de notícias France-Presse (AFP).

O ponto alto das comemorações é esperado na quarta-feira, quando se espera que o laureado com o Prémio Nobel da Paz em 1989 dirija uma mensagem à comunidade tibetana. Nada foi antecipado quanto ao conteúdo da intervenção, mas Dalai Lama já indicou que pretende aproveitar a ocasião para abordar o futuro da sua posição.

Nascido em 1935, Tenzin Gyatso foi reconhecido aos dois anos como a 14.ª reencarnação do Dalai Lama, em conformidade com a tradição budista. Em 2011, abdicou de todas as responsabilidades políticas, transferindo o poder para um governo tibetano no exílio, eleito democraticamente.

"Enquanto estiver física e mentalmente apto, considero importante estabelecer as regras para designar o próximo Dalai Lama", afirmou o líder espiritual em 2011. "As pessoas devem decidir se o ciclo das reencarnações deve continuar", disse.

Apesar de o atual titular ter sugerido que poderá não haver sucessor, a maioria dos tibetanos defende a continuidade.

"O ciclo da reencarnação de Sua Santidade deve prosseguir", afirmou Sakina Batt, uma antiga funcionária tibetana que vive no Nepal, citada pela AFP. "O futuro dos tibetanos depende da sua unidade e resiliência", disse.

"Este desejo não é partilhado apenas pelos tibetanos dentro ou fora do Tibete, mas também por todos os que, no mundo, têm ligação a Dalai Lama", acrescentou Dawa Tashi, ativista pela independência que passou vários anos em prisões chinesas.

Muitos tibetanos receiam que a China - que anexou o Tibete em 1950 - tente nomear um sucessor controlado por Pequim. "Os chineses vão escolher outro Dalai Lama, é evidente", antecipou o tradutor do atual líder espiritual, Thupten Jinpa. "Será ridículo, mas eles vão fazê-lo", acrescentou.

A memória do precedente de 1995 permanece viva: nesse ano, a China deteve uma criança de seis anos reconhecida pelo Dalai Lama como Panchen Lama, segunda figura do budismo tibetano, e nomeou outro menino da sua escolha, amplamente rejeitado pelos tibetanos como "falso Panchen".

O Dalai Lama excluiu categoricamente a possibilidade de o seu sucessor ser designado por Pequim. "Nascerá necessariamente no mundo livre", garantiu.

A sucessão é um tema especialmente sensível entre os jovens tibetanos. "É absurdo que um Estado ateu como a China queira nomear um líder espiritual", comentou Kunga Tashi, engenheiro de 23 anos radicado em Bangalore. "É claramente uma questão política", apontou.

"Hoje, muitos jovens tibetanos priorizam o sucesso pessoal em detrimento da luta coletiva", lamentou Geshema Tenzin Kunsel, religiosa residente em Dharamshala, sede do governo tibetano no exílio. "Preocupo-me com o nosso futuro sem ele", contou.

Entre os seus apoiantes, a expectativa é que o Dalai Lama clarifique o processo de sucessão e assegure a continuidade da instituição. "Se ainda não alcançámos um Tibete livre, estivemos mais perto graças a Sua Santidade", declarou Sonam Topgyal, estudante universitário em Nova Deli. "Com o nosso governo democrático no exílio e o apoio da Índia, acredito que ultrapassaremos esta transição", apontou.

Ouvir
  • Noticiário das 6h
  • 10 mai, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque