Portugal sofre com "cúpula de calor". Fenómeno pode tornar-se cada vez mais frequente
30 jun, 2025 - 21:57 • Marta Pedreira Mixão com Reuters
Para o futuro, a meteorologista Kirsty McCabe alerta para o aumento da probabilidade de dias abrasadores na Europa: "Vamos assistir a mais dias com mais de 40 graus, certamente mais dias com mais de 34 ou 35 graus".
Ondas de calor como a dos últimos dias podem vir a tornar-se mais frequentes devido às alterações climáticas, segundo Kirsty McCabe, meteorologista da Royal Meteorological Society. De acordo com a especialista, as altas temperaturas que se têm feito sentir devem-se a um fenómeno meteorológico chamado “cúpula de calor”.
Neste fenómeno, o ar quente e seco sobe, mas a pressão atmosférica empurra-o para baixo de encontro à superfície do planeta, ficando aprisionado próximo ao solo. Esta cúpula de calor atua então como se fosse uma redoma, impedindo que o ar quente dissipe, mesmo durante a noite.
“A cúpula de calor está a agir quase como a tampa de uma panela, e está a prender o ar quente por baixo dela”, explica Kirsty McCabe.
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O Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas (C3S) da União Europeia afirmou que as temperaturas globais à superfície no passado mês de maio foram, em média, 1,4°C mais elevadas do que na era pré-industrial, citando as emissões de gases com efeito de estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis como o principal fator das alterações climáticas.
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“Estas temperaturas são três a cinco vezes mais prováveis do que seriam sem o impacto das alterações climáticas induzidas pelo homem. Portanto, estamos a assistir a estas temperaturas mais elevadas como uma consequência direta das alterações climáticas”, afirmou McCabe, referindo-se aos dados da Climate Central.
Para o futuro, McCabe alerta para o aumento da probabilidade de dias abrasadores na Europa: "Vamos assistir a mais dias com mais de 40 graus, certamente mais dias com mais de 34 ou 35 graus".
Impactos na saúde quando nem conseguimos arrefecer à noite
A meteorologista destaca também que as elevadas temperaturas de uma onda de calor podem afetar a saúde.
"Depende se estamos a falar de 40 graus em termos de sombra ou de temperatura do ar... Se estivermos sob a luz direta do sol, se estivermos no subsolo, se estivermos numa casa que não foi bem concebida, essas temperaturas são muito mais elevadas. E é por isso que, obviamente, temperaturas tão elevadas têm um impacto muito negativo nas pessoas, porque não conseguimos arrefecer à noite e, mesmo que o termómetro não esteja tão alto, pode ser muito mais quente, especialmente se a humidade também for um problema", alerta.
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Portugal é um dos países do sul da Europa a passar por um pico de calor e, na tarde de domingo, no concelho alentejano de Mora, distrito de Évora, foram atingidos os 46,6 graus celsius. Já no no sábado, tinham sido registados 45,4ºC em Alvega, concelho de Abrantes.
O maior valor da temperatura máxima do ar registado em Portugal foi a 1 de agosto de 2003, na Amareleja, concelho de Moura, quando os termómetros marcaram 47,3ºC. Quanto à temperatura máxima para o mês de junho, o recorde anterior tinha sido registado a 17 de junho de 2017, com 44,9ºC, em Alcácer do Sal.
Também Espanha poderá ter registado o mês de junho mais quente de que há registo, segundo o serviço meteorológico nacional AEMET, que prevê que as temperaturas atinjam os 42°C em Sevilha.
O Ministério da Saúde de Itália emitiu alertas vermelhos para 16 cidades, prevendo-se que Florença atinja os 41°C, Bolonha 38°C e Perúgia 37°C, de acordo com o site meteorológico IlMeteo.it.
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