Protesto
Polícia do Quénia abre fogo contra manifestantes em Nairobi
07 jul, 2025 - 13:02 • Redação com Reuters
Todos os anos, a 7 de julho, ativistas saem às ruas para recordar o dia em que, em 1990, opositores do então presidente Daniel Arap Moi iniciaram uma mobilização para transformar o país numa democracia multipartidária.
A polícia queniana abriu fogo esta segunda-feira contra uma multidão de manifestantes que avançava em direção às forças de segurança, em Nairobi, avança a agência Reuters. Os manifestantes assinalavam o 35.º aniversário das manifestações pró-democracia na capital do país. Os confrontos terão feito um morto, segundo a imprensa, mas ainda não há confirmação oficial.
Todos os anos, a 7 de julho, ativistas saem às ruas para recordar o dia em que, em 1990, opositores do então presidente Daniel Arap Moi iniciaram uma mobilização para transformar o país numa democracia multipartidária. O protesto é conhecido como “Saba Saba” – “sete sete” em Kiswahili, língua bantu (oficial na Tanzânia, Quénia, Uganda e Ruanda) – uma referência à data dos acontecimentos.
Segundo a imprensa internacional, que cita testemunhas oculares, esta segunda-feira, a polícia recorreu a gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar a multidão ao longo de uma das principais vias da cidade, à medida que centenas de manifestantes avançavam. Já a imprensa local escreve que pelo menos uma pessoa morreu e várias ficaram feridas.
Antes do início do protesto, as autoridades bloquearam as principais estradas de acesso a Nairobi e impuseram fortes restrições ao trânsito automóvel no centro, deixando as ruas praticamente desertas, à exceção dos manifestantes que chegaram a pé.
O ministro da Administração Interna, Kipchumba Murkomen, que no mês passado classificou os protestos como “terrorismo disfarçado de dissidência”, afirmou este domingo, através da sua conta na plataforma X, que o governo está empenhado em proteger vidas e bens.
“As nossas forças de segurança estão em alerta máximo para agir de forma decisiva contra criminosos e outros elementos mal-intencionados que tentem infiltrar-se em manifestações pacíficas para provocar o caos, desordem ou destruição”, escreveu o ministro.
Estas declarações surgem após a morte de Albert Ojwang, professor e blogger, sob custódia policial em junho, o que gerou novos protestos.
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