Diplomacia
Trump apela ao Brasil: “Deixem Bolsonaro em paz”
07 jul, 2025 - 16:59 • Reuters
“Trump devia preocupar-se com os seus próprios problemas — que não são poucos — e respeitar a soberania do Brasil e o nosso sistema judicial”, afirmou a ministra Gleisi Hoffmann.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, saiu esta segunda-feira em defesa do antigo Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, alegando que o seu antigo aliado é alvo de uma “caça às bruxas” — expressão frequentemente utilizada por Trump para descrever os seus próprios processos judiciais.
“O único julgamento que devia acontecer é o julgamento pelos eleitores do Brasil — chama-se eleição. DEIXEM BOLSONARO EM PAZ!”, escreveu Trump numa publicação na sua rede social Truth Social.
Gleisi Hoffmann, ministra de Secretaria de Relações Institucionais do Brasil, respondeu a Trump, dizendo-lhe para se preocupar com os seus problemas domésticos. “Trump devia preocupar-se com os seus próprios problemas — que não são poucos — e respeitar a soberania do Brasil e o nosso sistema judicial”, afirmou Hoffmann em nota oficial divulgada à imprensa.
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Hoffmann sublinhou que “o Brasil não aceitará intromissões estrangeiras, muito menos de quem tem um histórico de desrespeito às instituições democráticas, tanto no seu país como fora dele”.
“O sistema judicial brasileiro é independente e está a agir dentro da legalidade. Quem atentou contra a democracia responderá perante a Justiça — seja ex-presidente, general ou qualquer outro cidadão”, concluiu a também dirigente do Partido dos Trabalhadores (PT).
Bolsonaro está a ser julgado no Supremo Tribunal Federal do Brasil por alegadamente ter participado num plano para impedir a tomada de posse de Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023. O processo envolve também sete outros acusados, incluindo oficiais militares.
Durante o julgamento, o ex-presidente negou ter liderado uma tentativa de golpe, mas admitiu ter participado em reuniões que discutiram formas de reverter o resultado eleitoral. Segundo Bolsonaro, chegaram a ser consideradas medidas como o uso das Forças Armadas e a suspensão de liberdades civis — propostas que, segundo ele, foram rapidamente abandonadas.
As acusações decorrem de uma investigação policial que durou dois anos, centrada no movimento de contestação eleitoral liderado por apoiantes de Bolsonaro, e que culminou em motins violentos em Brasília em janeiro de 2023, uma semana após Lula assumir o cargo.
- Noticiário das 14h
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