Diplomacia
Reino Unido e França preparam acordo sobre migrações
10 jul, 2025 - 14:55 • Reuters
Ainda esta quinta-feira deverão ser conhecidos detalhes do acordo. Macron está no Reino Unido para uma visita de três dias.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciarão esta quinta-feira um reforço nas medidas de controlo da migração, no encerramento de uma visita de Estado em que acordaram também uma cooperação mais estreita em matéria de defesa e energia nuclear, num contexto global cada vez mais volátil.
Durante a visita de três dias, que incluiu uma cerimónia de carruagem até ao Castelo de Windsor com o Rei Carlos III e um banquete de Estado, Starmer procurou obter de Macron resultados concretos quanto à promessa de maior “cooperação e resultados tangíveis” na questão migratória.
Starmer, cuja popularidade tem sido posta à prova desde a vitória eleitoral esmagadora no ano passado, está sob pressão para conter os elevados níveis de imigração – em especial os requerentes de asilo que atravessam o Canal da Mancha em pequenas embarcações – e fazer frente à crescente influência do partido Reform UK, liderado por Nigel Farage.
Antes do início da cimeira desta quinta-feira, Starmer, sentado ao lado de Macron na residência de Downing Street, afirmou: “Todos concordamos que a situação no Canal não pode continuar como está.”
“Estamos a introduzir novas táticas e um novo nível de determinação para combater a migração ilegal e destruir o modelo de negócio das redes criminosas,” acrescentou.
Macron, por sua vez, declarou que os dois países “partilham a mesma determinação em combater as redes criminosas de imigração ilegal, com uma forte coordenação com os outros Estados-membros da UE.”
Segundo uma fonte do governo britânico, Londres e Paris chegaram a acordo sobre um sistema de retorno de migrantes do tipo “um por um” – em que o Reino Unido deportará para França pessoas que tenham chegado ilegalmente por via marítima, recebendo em troca um número equivalente de requerentes de asilo legítimos com ligações familiares ao Reino Unido.
A medida terá inicialmente um alcance limitado, mas poderá ser alargada no futuro. A imprensa britânica avançou que o número de pessoas devolvidas deverá rondar as 2.600 por ano, uma fração dos mais de 35.000 migrantes que chegaram ao Reino Unido em 2024.
Mais de 21.000 pessoas já chegaram este ano em pequenas embarcações — um número recorde.
Pressões internas e riscos políticos
O acordo será apresentado como uma viragem na abordagem de Starmer à migração, num momento em que tanto ele como Macron enfrentam desafios políticos internos. Contudo, ainda não é claro se o entendimento incluirá condições específicas ou terá impacto imediato.
Inspirado num modelo semelhante entre a UE e a Turquia, o plano poderá trazer riscos para Macron, sobretudo perante críticas da direita francesa que questionam o motivo pelo qual a França aceitará migrantes com destino ao Reino Unido.
Macron também instou o governo britânico a reduzir os "fatores de atração migratória", sugerindo que deve ser mais difícil encontrar emprego no Reino Unido sem estatuto legal. Na quarta-feira, o gabinete de Starmer indicou que o governo tem aumentado as detenções de trabalhadores indocumentados como forma de dissuadir a migração económica ilegal.
Defesa e cooperação nuclear
A visita também marcou um aprofundamento das relações bilaterais desde o Brexit, com destaque para a cooperação em matéria de defesa.
Ambos os líderes comprometeram-se a encomendar mais mísseis de cruzeiro Storm Shadow, atualmente utilizados pela Ucrânia, e assinaram um acordo de cooperação nuclear, que prevê, pela primeira vez, a coordenação dos respetivos sistemas de dissuasão.
“Como parceiros próximos e aliados na NATO, o Reino Unido e a França têm uma longa história de colaboração em defesa, e os acordos de hoje elevam essa parceria a um novo patamar,” afirmou Starmer em comunicado.
Os dois países lideram também uma "coligação de países dispostos" a apoiar a Ucrânia caso haja um cessar-fogo com a Rússia. Starmer e Macron participarão mais tarde numa reunião virtual desse grupo.
“Estas últimas semanas foram marcadas por guerras, instabilidade comercial e económica — a nossa capacidade de agir em conjunto é essencial para o sucesso de todos nós,” concluiu Macron, através de um tradutor.
- Noticiário das 21h
- 07 jun, 2026








