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Presidente da Turquia congratula-se com desarmamento do PKK

12 jul, 2025 - 12:02 • Lusa

Quatro décadas de guerrilha causaram "pelo menos 50 mil mortos", incluindo dois mil soldados turcos, lembrou Erdogan, citado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).

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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, congratulou-se este sábado com o final da primeira fase de desarmamento do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerando que "a Turquia ganhou, 86 milhões de cidadãos ganharam".

"Sabemos o que estamos a fazer, ninguém deve preocupar-se, ter medo ou questionar-se; tudo o que fazemos é pela Turquia, pelo nosso futuro e pela nossa independência", disse o chefe de Estado aos membros do seu partido, reunidos numa assembleia plenária, no dia seguinte ao final da primeira fase de desarmamento do PKK, considerado como "terrorista".

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Quatro décadas de guerrilha causaram "pelo menos 50 mil mortos", incluindo dois mil soldados turcos, lembrou Erdogan, citado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).

Cerca de trinta combatentes curdos, homens e mulheres, incluindo quatro comandantes, destruíram simbolicamente as suas armas na sexta-feira, durante uma cerimónia no norte do Iraque, perto das suas bases, nas montanhas em torno da região autónoma do Curdistão.

Erdogan anunciou a criação de uma comissão no Parlamento turco para prosseguir o processo de paz "e discutir as exigências jurídicas do processo", algo que preocupa os membros do PKK.

Numa entrevista à AFP na sexta-feira no Iraque, a copresidente do PKK, Bese Hozat, pediu garantias de segurança antes que os combatentes possam regressar à Turquia: "Sem garantias jurídicas e constitucionais, acabaremos na prisão ou mortos", afirmou, considerando, ainda assim, que "hoje é um novo dia, uma nova página da história, é o dia de uma nova Turquia forte".

O PKK, que tinha como objetivo a criação de um Estado curdo independente da Turquia, decidiu colocar um fim a mais de quatro décadas de combates contra as forças turcas, que fizeram mais de 40 mil mortos, depois de anos em que foram obrigados a recuar para as montanhas do norte do Iraque.

A 12 de maio, o PKK anunciou a dissolução e o fim de mais de quatro décadas de guerrilha que causou mais de 40.000 mortos, em resposta a um apelo feito no final de fevereiro pelo líder histórico Abdullah Ocalan, preso desde 1999 na ilha-prisão de Imrali, ao largo de Istambul.

No final de junho, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que ia encontrar-se nos próximos dias com uma delegação do Partido para a Igualdade e Democracia do Povo (DEM, antigo HDP - Partido Democrático dos Povos), a principal força política pró-curda na Turquia, que desempenhou um papel fundamental na troca de mensagens entre Ocalan e Ancara.

Este gesto do chefe de Estado turco surgiu depois de ter anunciado, a 27 de maio, a criação de uma equipa jurídica para redigir uma nova Constituição, o que alguns analistas e opositores disseram recear que Erdogan pretenda manter-se no poder, uma vez que não se pode recandidatar.

O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, e os aliados nacionalistas não têm os votos necessários para aprovar uma nova Constituição.

Alguns analistas disseram acreditar que o recente esforço do Governo para terminar o conflito de décadas com o PKK faz parte da estratégia para ganhar o apoio de um partido pró-curdo no parlamento.

O exército turco mantém dezenas de posições no Curdistão autónomo, no norte do Iraque, a partir de onde conduz há anos operações terrestres e aéreas contra o PKK, que foi forçado a retirar-se.

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